O paciente renal internado por falta de vaga para diálise em Gurupi vive uma situação que parece não fazer sentido: mesmo com indicação médica de alta, alguns pacientes continuam ocupando leitos do Hospital Regional de Gurupi porque não conseguem vaga para continuar o tratamento fora da unidade.
O cenário levou o Ministério Público do Tocantins (MPTO) a cobrar uma solução do Governo do Estado. Segundo a apuração, há relatos de pacientes que permanecem hospitalizados justamente por não existir vaga disponível para o tratamento dialítico ambulatorial.
Tem alta, mas não vai para casa
A falta de vagas criou um efeito contraditório dentro do hospital: pacientes clinicamente aptos a receber alta continuam ocupando leitos porque precisam garantir a continuidade da diálise.
Para o promotor Marcelo Lima, a permanência prolongada aumenta os riscos à saúde dos próprios pacientes, além de ocupar vagas que poderiam ser utilizadas por outras pessoas que precisam de internação.
O procedimento do MPTO também reúne informações sobre mortes de pacientes, e uma cópia dos autos foi encaminhada à Promotoria com atribuição criminal para apurar eventual responsabilidade.
Estado é cobrado por 40 novas vagas
Entre as medidas recomendadas pelo Ministério Público está a criação de um quarto turno noturno de diálise na Fundação Pró-Rim.
A previsão é que a medida permita a abertura de 40 novas vagas semanais para Terapia Renal Substitutiva. O Estado tem prazo de até 15 dias úteis para concluir o processo de implantação.
Hospital também precisa de nova máquina
O MPTO também recomendou a entrega e instalação de pelo menos uma nova máquina de hemodiálise no Hospital Regional de Gurupi.
Segundo o documento, o equipamento é solicitado pela unidade desde fevereiro. A estrutura atual chegou a atender até 12 pacientes com apenas uma máquina, acima da capacidade considerada adequada para procedimentos de urgência.
Plano para tirar pacientes dos leitos
Outra medida prevista é a elaboração, em até cinco dias, de um plano emergencial de desospitalização.
Na prática, a proposta é encontrar alternativas para os pacientes renais que já têm condições clínicas de receber alta, mas continuam internados por falta de vaga na rede conveniada.
Caso não haja disponibilidade temporária, o Estado deverá avaliar alternativas como contratação emergencial de atendimento na rede privada ou encaminhamento para outra unidade de referência, com transporte adequado.
A cobrança agora é para que as medidas sejam adotadas rapidamente e o sistema consiga liberar leitos hospitalares sem interromper o tratamento de quem depende da diálise.}