Uma rondoniense levou o sabor das receitas de família para o outro lado da América e encontrou uma forma inusitada de conquistar clientes nos Estados Unidos. Natural de São Felipe D’Oeste (RO), a empreendedora Geisi Adibzadeh, de 32 anos, abriu uma pequena padaria na cidade de Florence, no estado de Montana, que funciona sem funcionários no atendimento.
Batizada de Borogodó, a micro padaria trabalha com um sistema de autoatendimento baseado na confiança dos clientes. Quem entra no estabelecimento escolhe o produto, registra a compra em um caderno e deixa o dinheiro em uma caixa ou realiza o pagamento com cartão. Também são aceitos cheque e outras formas de pagamento on-line.
“Eles entram, escolhem o produto e tem um caderninho. Eles escrevem no caderninho qual produto que pegaram e colocam o dinheiro na caixa ou pagam com o cartão. Se acontecer de um deles não conseguir pagar, eles me ligam ou deixam recado escrito com o número de telefone deles: ‘não consegui pagar, entra em contato comigo’”, explicou Geisi.
Segundo a empreendedora, o modelo já era utilizado por alguns pequenos estabelecimentos da região, mas ela decidiu adaptar a ideia para uma padaria. Desde a abertura, a experiência tem sido positiva. Geisi afirma que não teve problemas com furtos e que os próprios moradores passaram a divulgar o negócio.
Apesar do atendimento ser feito de forma autônoma, a produção dos alimentos exige uma rotina intensa. Geisi prepara os produtos durante o dia e, na madrugada, começa a assar os alimentos para que sejam vendidos frescos.
“Eu trabalho durante o dia produzindo tudo. Na madrugada, eu acordo às 3h da manhã e começo a assar tudo que eu produzi no dia anterior. É tudo feito fresco no dia”, contou.
A proposta desde o início era criar uma pequena padaria com sabores que lembrassem o Brasil.
“Desde o início eu pensei em fazer uma micro bakery, uma mini padaria, para que eu pudesse colocar pães, pão de queijo, doces brasileiros. Todos os produtos são receitas de família, coisas que eu aprendi a fazer no Brasil e reproduzo aqui”, explicou.
Além das compras presenciais, a Borogodó também recebe encomendas por meio de um site. Os clientes podem pedir bolos e reservar pães para os dias seguintes.
A estrutura da padaria também precisou ser adaptada ao clima de Montana, conhecido pelo inverno rigoroso. O marido de Geisi foi responsável pela reforma da pequena casa, enquanto ela cuidou pessoalmente da decoração.
Da infância em Rondônia aos Estados Unidos
Geisi nasceu em São Felipe D’Oeste, mas cresceu entre Cacoal e São Miguel do Guaporé. A paixão pela cozinha começou ainda na infância, observando a mãe, a avó e outras mulheres da família prepararem alimentos.
“Eu cresci cercada por mulheres, cozinheiras antigas, que com quase nada faziam um grande bolo. E daí veio toda a minha paixão, toda a minha dedicação por cozinha”, disse.
Antes de se mudar para os Estados Unidos, a rondoniense também morou em Portugal, onde trabalhou como chefe de cozinha, e passou uma temporada na Itália.
Depois de se casar com um americano, iniciou o processo para se mudar para os Estados Unidos. Quando chegou ao país, há pouco mais de um ano, começou trabalhando na área de limpeza e, posteriormente, em um mercado.
“Eu trabalhava na padaria desse mercado. Aí, quando eu saí de lá, falei: ‘Agora eu vou abrir uma padaria para mim. Mesmo que seja pequena, vou construir com as minhas mãos, vou fazer acontecer’”, contou.
Hoje, segundo Geisi, aproximadamente 98% dos clientes da Borogodó são americanos. Além dos produtos brasileiros, o próprio funcionamento da padaria desperta a curiosidade dos moradores.
“O fato de eu ter saído do Brasil, vindo para cá e construído a minha vida do zero de novo é uma história que chama a atenção deles também. E o jeito como a bakery funciona, o fato de eu acordar de madrugada para fazer tudo fresco para eles, é surreal”, afirmou.
A rotina da produção e os bastidores da pequena padaria também são compartilhados por Geisi nas redes sociais. Com o tempo, os clientes passaram a acompanhar não apenas os produtos, mas também a trajetória da empreendedora.
“Eles gostam muito e gostaram muito da minha proposta. Falam para mim: ‘Ah, nós queremos você aqui sempre, não vai embora, não desiste, tá dando certo’. Eles estão sempre preocupados se está sendo um sucesso para mim, se eu estou gostando, porque eles têm medo que eu pare de fazer os produtos”, finalizou.

