Dois homens foram presos no Nepal após um vídeo divulgado nas redes sociais mostrar a suposta retirada de brincos de ouro do corpo de uma vítima das enchentes que atingiram o país. O caso foi investigado pela Polícia de Chitwan depois que as imagens ganharam repercussão.
Os suspeitos foram identificados como Madan Gurung, de 25 anos, e Umesh Chaudhary, de 38 anos. Segundo informações divulgadas pela imprensa nepalesa, eles foram detidos nas proximidades de um terminal de ônibus em Bharatpur e encaminhados ao Distrito Policial de Chitwan para investigação.
Vídeo chamou a atenção das autoridades
As imagens que deram origem à investigação mostram dois homens próximos ao corpo de uma pessoa morta que teria sido carregada pela correnteza durante as enchentes.
Segundo a acusação, os homens aparecem retirando uma joia de ouro da orelha da vítima. O vídeo passou a circular nas redes sociais e chegou ao conhecimento da polícia, que iniciou diligências para identificar os envolvidos.
A Polícia de Chitwan confirmou a prisão dos dois homens. Entretanto, as circunstâncias completas registradas no vídeo ainda são objeto de investigação. Uma das fontes consultadas também ressalta que não foi possível verificar de forma independente todo o conteúdo da gravação.
Suspeitos foram localizados pela polícia
Após a repercussão das imagens, investigadores trabalharam para identificar as pessoas que aparecem no vídeo.
Madan Gurung e Umesh Chaudhary foram posteriormente localizados e presos. Eles foram levados para uma unidade policial em Chitwan, onde deverão prestar esclarecimentos sobre a suposta retirada da joia.
Até o momento, as informações divulgadas apontam para a retirada de um brinco ou joia de ouro de uma vítima. Não há confirmação oficial que permita afirmar que diversos corpos tenham sido saqueados ou que várias mulheres tenham sido vítimas desse tipo de crime.
Caso acontece durante uma das maiores tragédias recentes do Nepal
A investigação ocorre enquanto equipes de emergência ainda trabalham para localizar sobreviventes e recuperar corpos após uma das mais graves enchentes recentes na região do Himalaia.
A tragédia atingiu áreas do Nepal e do Tibete após o colapso de uma geleira provocar uma enorme corrente de água, lama, gelo e rochas. O fenômeno atingiu comunidades, estradas, pontes e outras estruturas próximas à fronteira entre Nepal e China.
As autoridades enfrentam dificuldades para chegar a algumas regiões porque parte da infraestrutura foi destruída. Equipes de resgate utilizam helicópteros para alcançar áreas isoladas e transportar sobreviventes e suprimentos.
Mais de 350 mortes foram confirmadas
Até esta quinta-feira (27), pelo menos 359 mortes haviam sido confirmadas no Nepal, segundo informações divulgadas pelas autoridades e repercutidas por veículos internacionais. Na região do Tibete, na China, também foram registradas mortes.
O número de desaparecidos passa de mil quando considerados Nepal e Tibete. A Associated Press informou que mais de 1,4 mil pessoas estavam desaparecidas nas duas regiões, incluindo centenas de estrangeiros que estavam em viagens ou peregrinações pela área.
A Reuters também informou que a enchente atingiu uma importante rota entre Katmandu, no Nepal, e Lhasa, no Tibete, provocando destruição de vilarejos e da infraestrutura local.
Como a enchente aconteceu
As primeiras informações chegaram a levantar a possibilidade de um terremoto ter provocado o desastre. Investigações posteriores, porém, apontaram para o colapso de uma geleira como causa da gigantesca onda de água e detritos.
O rompimento lançou grandes volumes de gelo, água e rochas pelos vales, aumentando rapidamente o nível dos rios e atingindo comunidades localizadas nas áreas mais baixas.
O desastre também provocou a formação de uma área represada que representa uma nova preocupação para as autoridades, diante do risco de outro episódio de inundação caso o bloqueio seja rompido.
Busca por desaparecidos continua
Enquanto a polícia investiga o caso envolvendo os dois homens presos, equipes de emergência continuam procurando pessoas desaparecidas e recuperando corpos.
A destruição de estradas e pontes dificulta o acesso às regiões atingidas. Segundo a Associated Press, dezenas de pontes e quase 40 quilômetros de estradas foram danificados, prejudicando as operações de resgate.
Entre os desaparecidos estão turistas, peregrinos e moradores locais. O número exato ainda pode mudar conforme as autoridades conseguem cruzar informações e alcançar áreas que permanecem isoladas.
Investigação sobre a retirada da joia continua
Os dois homens permanecem sob investigação por suspeita de retirar a joia do corpo de uma vítima da enchente.
A polícia deverá analisar as imagens que circularam nas redes sociais e reunir outros elementos para esclarecer exatamente o que ocorreu.
Até o momento, não há confirmação de que os suspeitos estejam relacionados a outros casos semelhantes. Também não há informação oficial de que outras vítimas tenham tido objetos retirados dos corpos durante a operação de resgate.
O caso ganhou repercussão por ocorrer em meio a uma tragédia que deixou centenas de mortos e milhares de pessoas desaparecidas, enquanto familiares aguardam informações sobre parentes que continuam sem ser localizados.
A investigação deverá determinar a responsabilidade dos dois homens e esclarecer todos os detalhes da ocorrência.
Veja as imagens: