PRAGA AVANÇA: vassoura-de-bruxa atinge 15 dos 16 municípios do Amapá

Doença que destrói plantações de mandioca já se espalhou por praticamente todo o estado e ameaça a produção, a renda de agricultores e a segurança alimentar
Redação Imediato Online
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A vassoura-de-bruxa no Amapá já atinge 15 dos 16 municípios do estado, segundo levantamento da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária do Amapá (Diagro). A praga afeta principalmente plantações de mandioca, uma das culturas mais importantes para a alimentação e a economia de comunidades rurais e indígenas.

O único município que, até o momento, não registra ocorrência da doença é Vitória do Jari. O avanço da praga tem preocupado produtores e autoridades porque a mandioca está presente na alimentação diária de milhares de famílias e também é utilizada na produção de farinha, beiju e outros derivados.

A doença é causada pelo fungo Rhizoctonia theobromae, também conhecido como Ceratobasidium theobromae. O problema foi identificado pela primeira vez no Brasil em julho de 2024, em plantações localizadas em terras indígenas do Oiapoque, no Amapá.

Doença muda a aparência da mandioca
O nome “vassoura-de-bruxa” vem da aparência que a planta adquire quando é contaminada. A doença provoca o crescimento anormal de brotos laterais e apicais, além de deixar os ramos mais finos e com entrenós curtos, criando uma espécie de “vassoura”.

Com o avanço da infecção, a planta pode apresentar clorose, murcha, seca e necrose vascular, comprometendo o desenvolvimento da mandioca e podendo causar perdas severas na produção.

O fungo também pode permanecer viável no solo, o que dificulta o controle e aumenta o risco de novos focos quando não são adotadas medidas de prevenção e contenção.

Praga já provoca prejuízos
O avanço da doença já vem causando impactos significativos nas plantações do estado. A preocupação não é apenas com a produção agrícola, mas também com a renda de famílias que dependem da mandioca para sobreviver.

Em comunidades indígenas, o problema ganha uma dimensão ainda maior. A mandioca é um alimento tradicional e está diretamente ligada à produção de farinha, beiju, caxiri e outros produtos que fazem parte da cultura e da alimentação das comunidades.

O Ministério da Agricultura e Pecuária considera a doença uma ameaça à segurança alimentar e econômica das comunidades rurais atingidas e declarou emergência fitossanitária para Amapá e Pará.

Governo criou medidas para tentar conter avanço
O Governo do Amapá já adotou medidas de emergência para tentar impedir que a doença continue avançando. Em abril deste ano, foi declarada situação de emergência em razão da ocorrência e do risco de surto da praga no estado.

Entre as medidas previstas estão restrições ao trânsito de plantas e partes de plantas de mandioca provenientes de áreas onde a ocorrência da praga foi confirmada.

A fiscalização também conta com apoio de diferentes órgãos. Em agosto, por exemplo, policiais militares foram deslocados para apoiar ações de fiscalização do trânsito de vegetais, com foco na prevenção e no controle da vassoura-de-bruxa da mandioca.

Como evitar que a doença continue se espalhando
O Ministério da Agricultura recomenda que, quando a doença for confirmada, as plantas e resíduos infectados sejam removidos e destruídos imediatamente.

Também é necessário fazer a limpeza e desinfecção de ferramentas e equipamentos utilizados nas plantações. O trânsito de máquinas, veículos, pessoas, roupas e calçados entre áreas contaminadas e áreas livres deve ser controlado para reduzir o risco de disseminação do fungo.

Outra orientação é manter o monitoramento constante das plantações vizinhas para identificar rapidamente novos casos e adotar medidas de contenção.

Praga preocupa além do campo
O avanço da vassoura-de-bruxa transforma um problema agrícola em uma preocupação que envolve também economia, alimentação e cultura.

Com a doença chegando a praticamente todo o Amapá, o desafio agora é impedir que os focos continuem se multiplicando e reduzir os prejuízos para quem depende da mandioca.

A situação também exige atenção especial nas áreas indígenas e rurais, onde a cultura possui papel fundamental não apenas na geração de renda, mas na própria alimentação e nos modos tradicionais de vida.

 

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