TRAGÉDIA: Avalanche de lama destrói vilas no Nepal e deixa mais de 400 turistas desaparecidos

Enchente devastadora atinge o Nepal e o Tibete, deixa 98 mortos e centenas de desaparecidos, incluindo 291 estrangeiros.
Redação Imediato Online
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Uma enchente repentina atingiu nesta quarta-feira (26) a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, provocando destruição em comunidades às margens do rio Bhote Koshi. O desastre deixou pelo menos 98 mortos, sendo 95 no Nepal e três no lado chinês, segundo balanços divulgados pelas autoridades dos dois países. Centenas de pessoas continuam desaparecidas e as equipes de resgate trabalham para localizar sobreviventes.

No Nepal, a Polícia informou que 95 corpos haviam sido recuperados. Na China, autoridades confirmaram três mortes e 265 desaparecidos após um deslizamento de terra atingir a região de Gyirong, próxima à passagem de fronteira. Os números ainda são preliminares e podem aumentar durante as buscas.

A região de Rasuwa, no norte do Nepal, foi uma das mais afetadas. A força da água e da lama arrastou casas, veículos, estradas, pontes e estruturas ligadas à geração de energia. Imagens verificadas pela Reuters mostram pessoas correndo para escapar de uma grande onda de lama e água que atingiu a área de fronteira.

Centenas de turistas estão desaparecidos
O Conselho de Turismo do Nepal informou inicialmente que 384 viajantes haviam perdido contato nas áreas atingidas, sendo 291 estrangeiros e 93 nepaleses. O levantamento foi elaborado a partir de informações de empresas de turismo e viagens e ainda estava sendo atualizado pelas autoridades.

Entre os estrangeiros desaparecidos estão pelo menos 105 indianos. Também foram relatados desaparecimentos de cidadãos dos Estados Unidos, Reino Unido, Malásia, Austrália, Países Baixos e África do Sul.

Os desaparecidos incluíam pessoas que viajavam em direção a áreas de peregrinação, como Kailash Mansarovar, no Tibete, além de turistas e trabalhadores que estavam na região montanhosa.

Oito sul-coreanos que trabalhavam em uma usina hidrelétrica também foram dados como desaparecidos, enquanto outros dez trabalhadores do país ficaram isolados na região e aguardavam retirada pelas equipes de emergência.

Lama e água destruíram comunidades
A inundação atingiu principalmente áreas próximas ao rio Bhote Koshi e provocou uma sequência de deslizamentos e enxurradas. A passagem de fronteira de Rasuwagadhi, importante ligação terrestre entre o Nepal e o Tibete, também foi atingida.

No lado chinês, o deslizamento de terra atingiu o condado de Gyirong e provocou danos a estruturas, vias de acesso e sistemas de comunicação. As autoridades locais restringiram o tráfego na região para facilitar o trabalho das equipes de emergência.

No Nepal, localidades como Timure e Syafrubesi sofreram danos significativos. Estradas e pontes que ligam a região ao posto de fronteira foram destruídas ou ficaram parcialmente interditadas, dificultando a chegada das equipes de resgate.

Terremoto pode ter desencadeado avalanche
As primeiras investigações apontam que um terremoto de magnitude 4,4 registrado na região pode ter contribuído para o desastre. A hipótese considerada é que o tremor tenha provocado uma avalanche de gelo e rochas, bloqueando temporariamente o curso de um rio.

Com o represamento, uma grande quantidade de água teria se acumulado e, posteriormente, rompido o bloqueio, formando uma onda de inundação que avançou rapidamente pelo vale.

A Reuters informou que imagens de satélite indicaram um deslizamento associado a uma área de geleira como possível origem do evento. A agência também relatou que especialistas ainda investigam a sequência exata entre o terremoto, o deslizamento e a inundação.

O terremoto de magnitude 4,4 foi registrado na manhã desta quarta-feira e teve profundidade estimada em 10 quilômetros, segundo registros sísmicos consultados.

Resgate é dificultado pelas condições climáticas
As operações de busca e salvamento foram iniciadas pelo Exército, pela polícia e por equipes de emergência do Nepal. Helicópteros estão sendo utilizados para alcançar áreas isoladas, mas o mau tempo, o nível dos rios e a quantidade de lama e destroços dificultam os trabalhos.

As autoridades também emitiram alertas para comunidades localizadas às margens dos rios, orientando moradores a buscar áreas mais elevadas diante do risco de novas inundações.

A preocupação aumentou devido à possibilidade de novos bloqueios no sistema de rios da região. Segundo autoridades, ainda há áreas de difícil acesso e informações sobre vítimas e desaparecidos continuam sendo atualizadas.

A tragédia também provocou impactos no fornecimento de energia e nas comunicações. Projetos hidrelétricos, estradas e outras estruturas de infraestrutura foram atingidos pelas águas e pelos deslizamentos.

As equipes de emergência dos dois países continuam as buscas, enquanto familiares aguardam informações sobre pessoas que estavam nas áreas atingidas no momento da enchente.

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