Segundo protetoras que acompanham a situação, os animais não foram levados junto com os indígenas e passaram a depender principalmente da ajuda de voluntários para receber alimentação e medicamentos.
A protetora Carmen Américo afirma que o grupo tem se mobilizado para garantir os cuidados básicos aos cães e gatos enquanto aguarda uma definição sobre o destino dos animais.
“Eles estão abandonados e precisam de assistência. Estamos tentando garantir pelo menos o básico, como ração e remédios, enquanto aguardamos uma resposta sobre o que será feito com esses animais”, diz.
Andrea Andrade, que também acompanha a situação, conta que as protetoras começaram a cuidar dos animais em julho e cobram uma definição do poder público sobre quem ficará responsável por eles.
“Desde julho estamos cuidando desses animais, trazendo ração, medicamentos e tentando fazer o que está ao nosso alcance. Mas precisamos saber quem vai assumir oficialmente esses cuidados e qual será o destino deles”, afirma.
Animais receberam atendimento em julho
A situação ocorre poucas semanas depois de uma ação de saúde animal realizada pela Prefeitura de Belém no antigo abrigo.
No dia 9 de julho, mais de 40 cães foram atendidos por equipes da Secretaria de Proteção e Defesa Animal, do Centro de Controle de Zoonoses e do Hospital Municipal Veterinário.
Os animais passaram por consultas, vacinação, aplicação de medicamentos, coleta de exames e identificação para posterior castração.
Segundo as protetoras, depois da saída dos indígenas, os cães e gatos permaneceram no local e passaram a depender principalmente da ajuda de voluntários.
A equipe do Imediato Pará tentou acessar o espaço para verificar as condições dos animais, mas não recebeu autorização para entrar.
A reportagem procurou a Prefeitura de Belém e os órgãos responsáveis pela assistência aos animais para saber quem ficará responsável pelos cães e gatos, quais medidas estão sendo adotadas e qual será o destino deles. As respostas serão incluídas nesta reportagem assim que forem encaminhadas.

Histórico do abrigo
O antigo abrigo no Tapanã é alvo de questionamentos relacionados às condições de acolhimento dos indígenas Warao há anos.
Em 2019, uma diligência da Procuradoria da República contabilizou cerca de 40 indígenas vivendo no espaço.
Mais recentemente, em junho deste ano, o Ministério Público Federal informou que quatro relatórios de inspeções realizadas no abrigo do Tapanã e em moradias particulares apontaram condições consideradas subumanas para indígenas Warao migrantes e refugiados.
Na ocasião, o MPF também informou que o município de Belém, o Estado do Pará e a Fundação Papa João XXIII (Funpapa) acumulavam multas pelo descumprimento de determinações relacionadas ao acolhimento dos indígenas.
Em decisão divulgada em junho, a Justiça Federal aplicou multa de R$ 1 milhão ao Estado do Pará e de R$ 1 milhão ao município de Belém pelo descumprimento de medidas relacionadas ao abrigo e ao acolhimento dos Warao.
O MPF acompanha a situação dos indígenas em Belém há anos. Em junho de 2025, a Justiça Federal já havia determinado que União, Estado, Município e Funpapa adotassem medidas para garantir acolhimento digno aos Warao, diante do histórico de descumprimento de acordos e decisões judiciais.
Agora, após a realocação das famílias, a preocupação se volta aos animais que permaneceram no antigo espaço. Enquanto aguardam uma definição sobre quem assumirá os cuidados, cães e gatos dependem da mobilização de protetores e voluntários.