Empinar pipas faz parte da infância de muitas crianças paraenses e ganha ainda mais força durante o verão amazônico. Para ensinar que a brincadeira precisa acontecer com segurança, escolas públicas do Pará recebem, durante o mês de agosto, ações educativas do Projeto Pipas.
A iniciativa promove gincanas, apresentações de teatro de bonecos, oficinas de confecção de pipas e distribuição de brindes. As atividades começaram na segunda-feira (10) e passam por unidades de ensino de Belém, Barcarena, Altamira e Marabá.
Durante as ações, crianças e adolescentes recebem orientações sobre os riscos de empinar pipas perto de postes, fios e outros equipamentos elétricos. A programação também aborda cuidados com a energia elétrica dentro de casa.
A proposta é levar as informações de forma lúdica e incentivar os estudantes a compartilhar o que aprenderam com familiares e pessoas das comunidades onde vivem.
Quase mil interrupções de energia


A iniciativa ocorre em meio a um aumento no número de ocorrências envolvendo pipas e a rede elétrica no Pará.
Entre janeiro e abril de 2026, foram registradas 994 interrupções no fornecimento de energia provocadas pelo contato de pipas com a rede elétrica em todo o estado. O número representa uma média de aproximadamente oito ocorrências por dia e é 13% maior do que o registrado no mesmo período de 2025.
As interrupções podem afetar residências, estabelecimentos comerciais, escolas, unidades de saúde e outros serviços.
Além dos impactos no fornecimento de energia, uma pipa presa na fiação também representa risco de acidentes. A orientação é não tentar retirar o objeto por conta própria, principalmente utilizando varas, barras metálicas ou outros materiais.
“Ao tocar na rede elétrica, a linha ou a pipa podem provocar curtos-circuitos e desligamentos que afetam milhares de pessoas. Além disso, tentar retirar uma pipa presa na fiação é extremamente perigoso e pode causar acidentes graves”, alerta Elton Lucena, executivo de Segurança da Equatorial.
Segundo a orientação da distribuidora, a brincadeira deve acontecer somente em locais abertos e afastados da rede elétrica. Caso a pipa ou a linha fique presa na fiação, a recomendação é se afastar do local e acionar a distribuidora.
Cerol e linha chilena
O Projeto Pipas também alerta para os riscos do uso de cerol e linha chilena. Os materiais podem provocar acidentes graves, principalmente envolvendo pedestres, ciclistas e motociclistas.
As crianças também são orientadas a não empinar pipas durante chuvas e tempestades e a manter distância de postes, subestações e cabos elétricos.
Nas edições realizadas em 2024 e 2025, o projeto conscientizou cerca de 8 mil crianças em diferentes municípios do Pará.
Para Liane Gaby, presidente do Instituto Cultural Amazônia do Amanhã, a iniciativa aproveita uma brincadeira tradicional para transmitir informações de prevenção.
“Empinar pipas faz parte da infância de muitas crianças paraenses, mas a diversão precisa acontecer com responsabilidade. Por meio das oficinas, gincanas e apresentações, conseguimos transmitir informações importantes de maneira leve e participativa”, afirma.
Em 2026, o Projeto Pipas terá uma expansão inédita. Pela primeira vez, a iniciativa será realizada também fora do Pará, com atividades em escolas públicas e privadas do Maranhão, Piauí e Goiás.
A programação nos quatro estados será desenvolvida durante os meses de agosto e setembro. A proposta é ampliar o alcance das orientações sobre segurança elétrica e prevenção de acidentes relacionados às pipas.
O projeto é realizado pelo Instituto Cultural Amazônia do Amanhã (ICAA), com patrocínio da Equatorial Pará, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura — Semear, do Governo do Estado do Pará.