O psicanalista e artista paraense Carlos Correia Santos denunciou nas redes sociais um episódio que classificou como racismo e constrangimento contra sua mãe, uma idosa negra, dentro de um supermercado localizado na Avenida José Malcher, em Belém. Segundo o relato, o caso ocorreu no dia 5 de agosto de 2026, na unidade do supermercado Mais Barato.
VEJA O VÍDEO:
De acordo com Carlos, a mãe havia comprado dois cocos secos e pediu que os produtos fossem partidos no próprio estabelecimento. No momento do pagamento, após uma compra avaliada em cerca de R$ 1 mil, a funcionária do caixa teria questionado a quantidade de cocos que estavam no saco, levantando a suspeita de que havia um item a mais.
Ainda segundo o relato publicado pelo psicanalista, a mãe teria sido orientada a abrir a embalagem e reorganizar os pedaços dos cocos para comprovar que não havia levado um produto sem pagar. Para Carlos, a situação representou uma exposição pública e um episódio marcado pelo racismo estrutural.
“Não é só sobre o coco. É sobre o cansaço de precisar provar o tempo inteiro que pessoas negras são honestas”, afirmou o artista em vídeo publicado nas redes sociais.
Carlos também relatou que já passou por outras situações de discriminação ao longo da vida, incluindo episódios envolvendo vizinhos, colegas de profissão e pacientes que teriam mudado de comportamento após descobrirem que ele é negro.
Após a repercussão do caso, o gerente de marketing do Grupo Mais Barato, Júnior Lopes, entrou em contato com Carlos. Segundo o psicanalista, a conversa foi respeitosa e houve um pedido de desculpas em nome da empresa.
Apesar disso, Carlos afirma que espera uma retratação pública do supermercado, argumentando que o episódio aconteceu diante de outras pessoas e que a manifestação deve alcançar a comunidade afetada.
“Um pedido de desculpas privado não resolve uma situação que aconteceu em público”, declarou.
VEJA A ATUALIZAÇÃO:
O psicanalista informou ainda que está recebendo orientação jurídica para avaliar as medidas cabíveis. Ele defende que empresas também devem adotar medidas de prevenção, treinamento de funcionários e combate a práticas discriminatórias.
O supermercado Mais Barato ainda não divulgou um posicionamento público oficial sobre a denúncia. O espaço permanece aberto para manifestação da empresa.