ALERTA: Violência contra mulheres cresce e leva feminicídios ao maior patamar da história do país

O Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, maior número da série histórica, mesmo com a redução dos homicídios. Anuário aponta aumento de 4% nos casos.
Redação Imediato Online
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O Brasil atingiu, em 2025, o maior número de feminicídios desde o início da série histórica do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o levantamento aponta que 1.571 mulheres foram assassinadas por razões relacionadas ao gênero, um aumento de 4% em comparação com os 1.504 casos registrados em 2024. O crescimento ocorre em sentido contrário à redução dos homicídios e das mortes violentas no país.

Os dados mostram que, em 2025, foram contabilizados 3.539 homicídios de mulheres, contra 3.728 no ano anterior, uma queda de 5,1%. Apesar dessa redução, aumentou a proporção de mulheres mortas em crimes classificados como feminicídio, ou seja, aqueles motivados pela condição de gênero, geralmente associados à violência doméstica, familiar ou à discriminação contra a mulher.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o cenário revela que, embora a violência ligada à criminalidade urbana tenha diminuído, os assassinatos cometidos no ambiente doméstico ou por parceiros e ex-parceiros continuam crescendo.

As pesquisadoras Isabella Matosinhos, da Rede Feminina de Estudos de Violência, Justiça e Prisões (Rede Femjusp), e Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do FBSP, destacam que existe um “recuo seletivo da violência letal”. Enquanto os homicídios relacionados à violência urbana diminuem, os crimes praticados dentro de casa permanecem em alta.

“A violência letal que atinge mulheres dentro de casa, cometida por pessoas que elas conheciam e, na maior parte dos casos, amaram, não tem caído. Ela é a violência que permanece mesmo quando a outra recua”, afirmam as pesquisadoras no estudo.
Quase 80% dos feminicídios são cometidos por companheiros ou ex-companheiros
O anuário mostra que 79,8% dos feminicídios registrados em 2025 tiveram como autores companheiros ou ex-companheiros das vítimas. Nas demais mortes violentas intencionais, essa relação representa apenas 7% dos casos, evidenciando a forte ligação entre o feminicídio e a violência doméstica.

Outro dado chama atenção para o tipo de arma utilizada. Mais da metade dos feminicídios (50,8%) foi cometida com armas brancas, como facas e objetos perfurantes, característica comum em crimes ocorridos dentro de residências e em contextos de convivência familiar.

Violência cresce antes do assassinato
O levantamento também evidencia que o feminicídio costuma ser precedido por uma sequência de episódios de violência.

Para cada feminicídio registrado em 2025, foram contabilizados, em média:

502 registros de ameaça;
182 casos de agressão física;
84 descumprimentos de medidas protetivas de urgência;
79 ocorrências de perseguição (stalking);
39 casos de violência psicológica.
Esses indicadores reforçam que o assassinato é frequentemente o desfecho de um ciclo contínuo de violência.

Tentativas de feminicídio também aumentaram
Além das mortes consumadas, o país registrou 4.189 tentativas de feminicídio em 2025, crescimento de 5,9% em relação ao ano anterior.

Na prática, isso significa que uma mulher sobreviveu a uma tentativa de feminicídio a cada duas horas no Brasil. Para cada assassinato consumado, houve quase três tentativas frustradas.

Mortes violentas caem ao menor nível desde 2012
Enquanto os feminicídios avançaram, o Brasil registrou queda nas mortes violentas intencionais.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o país contabilizou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, contra 44.127 em 2024, uma redução de 8,2%. A taxa caiu de 20,6 para 19,1 mortes por 100 mil habitantes, o menor índice desde o início da série histórica, em 2012.

As mortes violentas intencionais incluem homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, feminicídios, mortes decorrentes de intervenção policial e mortes de policiais.

Feminicídio é crime previsto em lei
O feminicídio foi incluído no Código Penal brasileiro em 2015 e caracteriza o assassinato de mulheres motivado por violência doméstica e familiar ou por menosprezo e discriminação à condição feminina.

Especialistas apontam que o aumento dos registros pode estar relacionado tanto ao crescimento da violência quanto ao aprimoramento da identificação e da classificação desse tipo de crime pelas autoridades. No entanto, os números indicam que a violência de gênero permanece como um dos principais desafios da segurança pública brasileira.

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