O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus, Givancir Oliveira, afirmou nesta segunda-feira (20) que a greve da categoria será mantida mesmo que os salários atrasados sejam pagos pelas empresas de ônibus. Segundo ele, a paralisação agora também tem como objetivo cobrar melhorias nas condições de trabalho e mudanças estruturais no sistema de transporte coletivo da capital.
URGENTE: Sindicato anuncia greve geral de 100% dos rodoviários e paralisa ônibus em Manaus
Durante coletiva de imprensa, Givancir agradeceu a adesão dos trabalhadores ao movimento e destacou que a paralisação demonstra a importância da categoria para o funcionamento da cidade.
“Hoje a cidade de Manaus está vendo a falta que fazem os rodoviários. São pais de família que acordam de madrugada, enfrentam chuva e dificuldades para transportar milhares de passageiros todos os dias. Mas muitos chegam em casa sem ter recebido o salário”, declarou.
O sindicalista afirmou que o atraso recorrente nos pagamentos motivou a greve, mas ressaltou que outras reivindicações passaram a integrar a pauta da categoria. Entre elas estão:
Pagamento imediato dos salários atrasados;
Reforma dos terminais de ônibus, considerados insalubres pelos trabalhadores;
Fim da compensação das horas extras realizadas em feriados e pagamento em dinheiro dessas horas;
Pagamento em dinheiro da gratificação aos motoristas que acumulam a função de cobrador;
Criação de auxílio-creche de R$ 300 para trabalhadores do sexo masculino que também possuem filhos pequenos;
Suspensão das demissões de cobradores e reintegração dos profissionais dispensados.
Givancir também criticou a diferença entre as multas aplicadas às empresas e ao sindicato. Segundo ele, enquanto as empresas estariam sujeitas a uma multa diária de R$ 5 mil pelo atraso nos salários, uma eventual decisão judicial contra a greve poderia impor uma multa de R$ 100 mil por hora à entidade sindical.
O presidente do sindicato ainda cobrou uma reunião urgente com representantes da Prefeitura de Manaus, do Governo do Amazonas e do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram). Ele afirmou que somente um acordo que contemple todas as reivindicações poderá encerrar a paralisação.

Durante o pronunciamento, Givancir também criticou as condições dos terminais de ônibus, alegando que muitos não oferecem estrutura adequada para os trabalhadores, incluindo banheiros em condições precárias e falta de espaços apropriados para motoristas e cobradores.
Além disso, o vereador Jaildo Oliveira, que participou da coletiva, afirmou que pretende solicitar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a aplicação dos subsídios destinados ao sistema de transporte coletivo de Manaus, diante dos constantes atrasos salariais registrados pelas empresas.
Com a paralisação de 100% da frota anunciada pelo sindicato, milhares de passageiros enfrentaram dificuldades para se deslocar pela capital. Até o momento, não há previsão oficial para o encerramento da greve, que dependerá de um acordo entre trabalhadores, empresas e poder público.