A influenciadora paraense Lia Mendonça voltou a repercutir nas redes sociais após publicar um vídeo em que aparece preparando um búfalo inteiro assado na Ilha do Marajó, no Pará. A gravação, divulgada nesta semana, mostra a participação do cantor MC Daniel e dos influenciadores Chrys Dias e Débora Paixão.
Nas imagens, o grupo encena a retirada do animal da água e, em seguida, realiza o preparo em uma churrasqueira improvisada. O conteúdo viralizou e passou a dividir opiniões entre internautas.
Parte do público criticou a forma como o preparo foi apresentado, apontando exagero e possível apelo ao engajamento. Outros usuários defenderam o vídeo, destacando que o consumo da carne de búfalo faz parte da cultura local.
Em resposta às críticas, os influenciadores afirmaram que a prática ocorre dentro da legalidade e integra tradições da região. A criação de búfalos é uma atividade consolidada no Marajó, que concentra o maior rebanho do país.
Debate sobre exposição cultural
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a controvérsia não está relacionada ao consumo da carne em si, mas à forma como o conteúdo é apresentado nas redes sociais. Segundo a avaliação, há diferença entre práticas tradicionais e sua reprodução em ambientes digitais com grande alcance.
Para uma jornalista ouvida, o caso levanta discussão sobre os limites da exposição cultural em plataformas digitais. “A questão não é o consumo ou a tradição, mas a forma como isso é transformado em conteúdo”, afirma.
A repercussão do caso também mobilizou profissionais da comunicação. A jornalista amazônida Isis Drumond, do município de Parauapebas, publicou um vídeo nas redes sociais em que levanta o debate sobre a espetacularização de práticas culturais.
Para ela, a controvérsia não está no consumo da carne, mas na forma como o conteúdo é apresentado ao público.
“A questão não é o consumo, tampouco a tradição, mas a forma como isso é transformado em conteúdo. Existe uma diferença entre o cotidiano de um território e a sua exibição nas redes sociais”, afirmou.
Segundo Isis, quando práticas locais são transportadas para plataformas digitais com grande alcance, há risco de perda de contexto e reforço de interpretações distorcidas.
Em nota, a prefeitura de Soure informou que não possui qualquer vínculo ou participação no conteúdo que circula nas redes sociais envolvendo o manejo de búfalos no município. Segundo a gestão, a publicação não foi produzida, autorizada ou apoiada pela administração municipal.
O órgão também destacou que a criação de búfalos é uma atividade histórica da região, ligada à economia local e ao sustento de diversas famílias, desenvolvida com técnicas e saberes tradicionais.
A Prefeitura ressaltou ainda que a divulgação de imagens sem contextualização não representa a realidade do trabalho no campo e pode distorcer a compreensão sobre a vida no Marajó, e reafirmou o compromisso com a valorização da cultura e da população local.