O título do 59º Festival de Parintins vence o Boi Caprichoso! Confira os detalhes das três noites de apresentação do boi azulado no Bumbódromo.

O resultado oficial da apuração foi divulgado na tarde desta segunda-feira, consagrando o Caprichoso com a nota final de 1.259 pontos, contra 1.258,3 pontos do Garantido.
Redação Imediato Online
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A Ilha da Magia se vestiu de azul e branco para celebrar a ancestralidade. O Boi Caprichoso é o grande campeão do 59º Festival de Parintins, realizado nos dias 26, 27 e 28 de junho, no Bumbódromo de Parintins (município localizado a 369 quilômetros a leste de Manaus). Sob o tema “Cultura – O Triunfo do Povo”, o bumbá arrebatou os jurados e o público ao exaltar a memória, a resistência e as raízes profundas que formam a identidade amazônica.

O resultado oficial da apuração foi divulgado na tarde desta segunda-feira, consagrando o Caprichoso com a nota final de 1.259 pontos, contra 1.258,3 pontos do Garantido. Uma vitória apertada e emocionante, decidida por apenas 7 décimos de diferença.


A matemática do título: Noite a noite no Bumbódromo

A disputa deste ano foi uma das mais acirradas da história recente do festival, exigindo perfeição técnica e evolução artística impecável de cada item.

  • 1ª Noite: Empate técnico absoluto, com ambos os bois somando 419,6 pontos.
  • 2ª Noite: O Caprichoso assumiu a liderança com 419,7 pontos contra 419,3 do Garantido.
  • 3ª Noite: O touro negro selou o campeonato ao atingir 419,7 pontos, superando os 419,4 do boi vermelho.

‘Brinquedo que canta seu Chão’: Saberes e encanto flutuante

Na primeira noite do festival, o Caprichoso valorizou os saberes populares, as memórias urbanas da ilha e a contribuição fundamental dos povos indígenas e das comunidades tradicionais na construção de Parintins. O bumbá se apresentou como um patrimônio cultural vivo, moldado por gerações de artistas e brincantes.

“O espetáculo apresentou o boi como patrimônio cultural vivo, construído ao longo das gerações por artistas, trabalhadores, brincantes e moradores da ilha.”

O grande ápice visual da noite ficou por conta da Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid. A defensora do item 7 surgiu na arena em um praticável com efeito de suspensão no ar, parecendo flutuar sobre a galera e os jurados, arrancando aplausos calorosos do Bumbódromo.


Ancestralidade e o guardião da floresta na segunda noite

Com o subtema “O Brinquedo Ancestral Canta: Amazônia – O Chão da Vida”, a segunda noite do touro negro foi uma ode à preservação ecológica e à espiritualidade dos povos originários. A apresentação não fugiu do debate político-cultural, retratando com firmeza os conflitos históricos enfrentados por comunidades indígenas, ribeirinhas e populações tradicionais.

O destaque artístico e conceitual da noite foi a Lenda Amazônica “Curupira – O Guardião da Vida”, concebida pelo artista Roberto Reis. A monumental alegoria trouxe o ser encantado como o protetor máximo da fauna e da flora. No clímax da evolução, a cunhã-poranga Marciele Albuquerque surgiu de forma impactante do interior da estrutura, incendiando a arena.


Resistência, emoção e o xamanismo xikrin na noite da vitória

Para fechar o espetáculo, o Caprichoso levou à arena o tema “O Brinquedo da resistência canta: Norte Brasil – Chão de Bravos”. A abertura da última noite foi marcada por uma onda de profunda emoção: uma homenagem ao eterno tripa Markinho Azevedo, falecido em dezembro de 2023. Uma estrela com a imagem do artista brilhou na arena enquanto seu legado era conduzido na evolução por seu filho, Edson Azevedo.

A tradição do Auto do Boi foi resgatada na alegoria “Auto do Boi Brasileiro – Exaltação Cultural”, assinada por Brás Lira, trazendo à cena a comicidade e a dramaticidade de Pai Francisco e Mãe Catirina.

O espetáculo foi encerrado de forma apoteótica com o “Ritual de Iniciação Xamânica Xikrin M-Bêngôkre”. Inspirada na cosmologia do povo Xikrin, a apresentação cênica e coreográfica reconstituiu a jornada de formação do xamã através da travessia do portal Inhum-djêk e seu encontro místico com Okti, o Grande Gavião-Real. Uma performance plástica irretocável que carimbou, em definitivo, o título de campeão do 59º Festival de Parintins para o Boi Caprichoso.

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