São Paulo – Áudios, mensagens de aplicativos e comprovantes de depósitos extraídos de dois celulares apreendidos pela polícia são apontados pela Justiça como elementos centrais de uma investigação que levou a influenciadora e advogada Deolane Bezerra, o líder do PCC Marco Willians Herbas Camacho (Marcola) e outras quatro pessoas a se tornarem réus por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo decisão judicial, o conteúdo encontrado nos aparelhos foi classificado como a “prova nuclear” da acusação apresentada pelo Ministério Público de São Paulo, por meio do Gaeco.
Conteúdo dos celulares
De acordo com a investigação, os aparelhos apreendidos continham conversas pelo Telegram, áudios e registros financeiros que ajudariam a reconstruir supostos fluxos de dinheiro ligados à organização criminosa.
Um dos celulares analisados, um Samsung Galaxy J5, teria armazenado mensagens trocadas entre 2020 e 2021, além de áudios em que um dos investigados cita relações com integrantes apontados como ligados ao PCC.
Já em outro aparelho, um iPhone X, foram encontradas conversas com pessoas da família de um dos investigados, além de compartilhamento de dados bancários e comprovantes de transferências.
Investigação financeira
Segundo o Ministério Público, os materiais extraídos indicariam um esquema de movimentação e repasse de valores, com uso de contas bancárias e possíveis empresas para ocultação e dissimulação de recursos.
A investigação também menciona relatórios financeiros, quebras de sigilo bancário e análises do Coaf como parte do conjunto de provas.
Decisão da Justiça
A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia e transformou os investigados em réus por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A decisão ressalta que o material encontrado nos celulares, somado a outras provas, permite a reconstituição parcial da dinâmica financeira investigada.
Com isso, inicia-se a fase de ação penal, quando acusação e defesa apresentam provas e argumentos para julgamento final.
Defesas
As defesas dos envolvidos negam participação nos crimes e afirmam que irão demonstrar a inocência durante o processo. Também contestam a interpretação das provas e alegam falta de elementos suficientes para sustentar as acusações.