Dentro de casa, o silêncio machuca: violência sexual contra meninas cresce no Brasil

Levantamento revela aumento dos casos de violência sexual contra meninas no Brasil e reforça preocupação com crimes dentro do ambiente familiar.
Redação Imediato Online
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Brasil — Um levantamento divulgado pelo Mapa Nacional da Violência de Gênero revelou um cenário alarmante no Brasil: entre 2011 e 2024, uma média de 64 meninas por dia foram vítimas de violência sexual no país. Ao longo do período, mais de 308 mil crianças e adolescentes de até 17 anos sofreram esse tipo de crime.

Somente em 2024, foram registrados 45.435 casos, o equivalente a cerca de 3,7 mil notificações mensais. Os dados foram extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, e divulgados em alusão ao Dia Nacional do Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Segundo os especialistas responsáveis pelo estudo, os números ainda podem ser maiores, já que muitos casos não chegam a ser denunciados. A diretora executiva da Associação Gênero e Número, Vitória Régia da Silva, destacou que a subnotificação ainda é um dos maiores desafios no enfrentamento da violência sexual no país.

Além disso, o levantamento mostra que os registros cresceram 29,35% desde 2011. A única queda aconteceu em 2020, durante a pandemia da covid-19, período em que especialistas acreditam ter ocorrido redução nas denúncias devido ao isolamento social.

Meninas negras são maioria entre as vítimas
Os dados também apontam maior vulnerabilidade entre meninas negras. Entre 2011 e 2024, elas representaram 56,5% das vítimas de violência sexual no Brasil.

Apenas em 2024, meninas pardas e pretas somaram mais de 23 mil casos registrados. Já as meninas brancas contabilizaram 16,7 mil ocorrências. Também foram registrados casos envolvendo crianças e adolescentes indígenas e amarelas.

Crimes acontecem, na maioria das vezes, dentro de casa
O estudo chama atenção para o fato de que, em muitos casos, os autores da violência possuem vínculo familiar com as vítimas. Pais, mães, padrastos, madrastas e irmãos aparecem frequentemente entre os suspeitos.

De acordo com o levantamento, cerca de 31% dos casos registrados entre 2011 e 2024 envolveram agressores da própria família.

Especialistas alertam que a violência sexual contra crianças e adolescentes nem sempre é praticada por desconhecidos e reforçam a importância de professores, profissionais da saúde e familiares estarem atentos a sinais de abuso.

Disque 100 registrou aumento nas denúncias
Dados do Disque 100, serviço nacional de denúncias de violações de direitos humanos, apontam aumento de quase 50% nas denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes nos primeiros quatro meses de 2026.

Entre janeiro e abril deste ano, foram registradas mais de 32 mil violações sexuais envolvendo menores de idade.

Como denunciar
Casos de suspeita ou confirmação de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados gratuitamente pelo Disque 100. O serviço funciona 24 horas por dia e permite denúncias anônimas.

As ocorrências são encaminhadas para órgãos como Conselho Tutelar, delegacias especializadas, Ministério Público e serviços de assistência social.

Fonte: Agência Brasil

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