A campeã de jiu-jítsu Brenda tornou público um relato contundente sobre um ciclo de violência e abuso que, segundo ela, se estendeu por 14 anos dentro do ambiente esportivo. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, a atleta detalha como conheceu o treinador ainda na infância e como a relação, inicialmente marcada por promessas de apoio e ascensão no esporte, teria evoluído para episódios de abuso, manipulação psicológica e controle.

De acordo com o depoimento, Brenda começou a treinar aos 12 anos, em um projeto que reunia crianças em situação de vulnerabilidade. Ela conta que o treinador se aproximou ao perceber sua dedicação e as dificuldades financeiras de sua família, oferecendo suporte com alimentação, estudos e oportunidades no esporte. “Eu só via ali uma oportunidade de mudar de vida”, afirmou.
A atleta relata que, com o tempo, passou a sofrer abusos e a viver sob constantes ameaças e coerções. Segundo ela, o agressor utilizava promessas de carreira e ajuda financeira como forma de controle. “Chegou o dia em que ele disse que nada era de graça e que eu teria que pagar. E paguei da pior forma possível”, disse.
Brenda também afirmou que descobriu outras possíveis vítimas dentro do mesmo ambiente, incluindo sua própria irmã. “Eu achava que era só eu vivendo aquele inferno, mas não era”, declarou, ressaltando que o caso envolve múltiplas denúncias.
Mesmo após se afastar fisicamente, a atleta relata que continuou sendo alvo de pressão psicológica por meio de mensagens, convites e tentativas de reaproximação. Ela descreve episódios de manipulação emocional, humilhações e tentativas de interferência em sua carreira e vida pessoal.
A lutadora afirmou que decidiu tornar a história pública como forma de encorajar outras vítimas a denunciarem. “Foram 14 anos de muito medo. Mas esse medo acabou. Eu fiz a minha denúncia, minha irmã também, e quero encorajar outras meninas a fazerem o mesmo”, disse.
No relato, Brenda também destacou o impacto emocional dos abusos e a dificuldade em romper o ciclo de silêncio. Segundo ela, a decisão de falar foi motivada pela busca por justiça e pelo desejo de impedir que outras pessoas passem pela mesma situação.
Até o momento, o caso segue sob investigação das autoridades competentes. A identidade do suspeito não foi divulgada oficialmente neste relato, e o espaço permanece aberto para manifestação da defesa.
A denúncia reacende o debate sobre a segurança de crianças e adolescentes em ambientes esportivos e a importância de mecanismos de proteção e fiscalização.