Relatório da Polícia Federal revela como indústria musical teria sido usada para lavar dinheiro em esquema que envolve MC Ryan e Poze

Esquema que misturava receitas da música com dinheiro ilegal, levando à prisão preventiva de cantores e influencers.
Redação Imediato Online
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A Polícia Federal identificou que a estrutura da indústria musical foi utilizada como peça central em um suposto esquema de lavagem de dinheiro investigado na Operação Narco Fluxo, que tem como um dos alvos o cantor MC Ryan SP.

De acordo com relatório obtido pela reportagem, a engrenagem funcionava a partir da mistura de recursos de origem ilícita — como rifas e apostas ilegais — com valores formais provenientes do mercado fonográfico, criando uma aparência de legalidade nas movimentações financeiras.

As investigações apontam que parte do dinheiro que entrava nas contas ligadas ao artista teria origem em atividades ilegais. Esses valores eram utilizados, por exemplo, para custear despesas operacionais comuns à carreira musical, como transporte de equipe, hospedagens e logística de shows.

Os cantores Mc Ryan SP e Mc Poze | Reprodução/Instagram/@imcryansp @pozevidalouca

Outro ponto destacado pela PF envolve repasses feitos por produtoras musicais, entre elas a GR6. Segundo os investigadores, alguns depósitos não apresentariam lastro contratual verificável, sendo classificados como pagamentos simulados.

Ao mesmo tempo, receitas legítimas oriundas da indústria fonográfica também integravam o fluxo financeiro. A Sony Music, por exemplo, aparece como uma das fontes de pagamento, contribuindo para dar “credibilidade” às contas utilizadas, segundo o relatório.

Para a Polícia Federal, essa combinação de entradas lícitas e ilícitas permitia ocultar a origem real dos recursos. A etapa final do suposto esquema consistiria na aquisição de bens de alto valor, como imóveis em áreas nobres, veículos de luxo e joias, incorporando o dinheiro ao patrimônio pessoal.

A operação foi deflagrada no dia 15 de abril e cumpriu dezenas de mandados de prisão e busca em diversos estados do país e no Distrito Federal. Entre os investigados estão MC Ryan SP e MC Poze do Rodo.

Na quinta-feira (23), a Justiça determinou a conversão das prisões temporárias em preventivas, o que significa que os investigados permanecem detidos sem prazo definido para liberação.

A apuração que levou à operação teve origem em análises anteriores feitas pela Polícia Federal em outras investigações, como a Operação Narco Bet e a Operação Narco Vela. A partir de dados obtidos em serviços de armazenamento em nuvem, como o iCloud, os investigadores identificaram indícios da atuação de um grupo estruturado para movimentar e ocultar valores de origem criminosa.

Segundo a decisão judicial, o esquema teria divisão de funções, com integrantes responsáveis pela captação, circulação e redistribuição de recursos, incluindo movimentações em dinheiro vivo, transferências bancárias e uso de criptoativos.

As defesas dos investigados negam irregularidades e afirmam que vão contestar as acusações na Justiça.

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