O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) absolveu Taís Matias Teixeira, de 27 anos, acusada de homicídio qualificado por motivo fútil após esfaquear e matar o ex-namorado, Lucas Vinícius Lourenço Vieira, de 25 anos. A decisão foi tomada por unanimidade pela 1ª Câmara Criminal no dia 23 de janeiro de 2026, ao reconhecer que a jovem agiu em legítima defesa durante uma briga ocorrida em setembro de 2024, em Londrina.
O caso aconteceu no dia 29 de setembro de 2024, em uma residência na zona oeste da cidade, onde o casal discutia de forma acalorada. De acordo com o processo, Taís tentava acionar a polícia quando Lucas tomou o celular de suas mãos e o arremessou no chão. Em seguida, ele se preparou para agredi-la com um soco. Nesse momento, ela reagiu com um golpe de faca no peito dele, que morreu ainda no local.
Um vídeo gravado pela irmã de Taís, que estava na casa, foi peça-chave nas investigações. As imagens registram a discussão, a tentativa de ligação para a emergência e o instante em que Lucas avança para agredi-la, seguido pela reação da jovem.
Segundo os autos, o relacionamento, que durou cerca de quatro anos, era marcado por episódios de violência doméstica. Taís havia registrado ao menos três boletins de ocorrência contra o ex-companheiro, com laudos médicos e depoimentos que comprovavam agressões anteriores. Esses elementos foram destacados no acórdão como evidências de um histórico de abusos, reforçando a tese de legítima defesa.
Taís foi presa em flagrante no dia do crime e permaneceu detida por cerca de cinco meses na Cadeia Pública de Santo Antônio da Platina. Em março de 2025, passou a responder ao processo em liberdade provisória, sob monitoramento eletrônico e outras medidas cautelares.
Inicialmente, ela havia sido pronunciada para julgamento pelo Tribunal do Júri. No entanto, a defesa recorreu ao TJ-PR, sustentando a tese de legítima defesa. Sob relatoria do desembargador Adalberto Jorge Xisto Pereira, a 1ª Câmara Criminal concluiu que não houve dolo, ou seja, intenção de matar, mas sim uma reação proporcional diante de uma ameaça real e iminente.
O acórdão também destacou que Taís teve outras oportunidades de atacar durante a discussão, mas só reagiu no momento em que foi diretamente ameaçada. Após o golpe, ela pediu ajuda, tentou conter o sangramento e colaborou com as autoridades, o que reforçou a ausência de intenção homicida.
Com a absolvição sumária, o processo foi encerrado sem necessidade de júri popular. Todas as medidas cautelares foram revogadas, e Taís não possui mais restrições relacionadas ao caso.
A decisão tem sido interpretada como um marco no enfrentamento à violência contra a mulher, ao reconhecer a importância do contexto de abusos domésticos na análise de casos de legítima defesa. A defesa celebrou o resultado como um reconhecimento da realidade enfrentada por vítimas de violência. Até o momento, não há indicação de recurso por parte do Ministério Público.