O delegado Ângelo Lajes, responsável pela investigação do estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, afirmou neste sábado (28) que o crime foi uma “emboscada planejada”. Segundo ele, os envolvidos podem ser condenados a penas que se aproximam de 20 anos de reclusão.
De acordo com o delegado, o inquérito foi concluído e encaminhado ao Ministério Público. Um dos investigados é menor de idade e deverá responder a procedimento específico na Vara da Infância e Juventude.
Relato da vítima
Em depoimento prestado na delegacia, na presença da avó, a adolescente contou que foi convidada por um colega de escola para ir ao apartamento de um amigo dele, em Copacabana. Segundo o relato, o jovem pediu que ela levasse uma amiga, mas, como não conseguiu, decidiu ir sozinha.
A adolescente informou que já havia mantido um relacionamento com o rapaz entre 2023 e 2024, mas que não se encontravam desde então. Ao chegar ao prédio, encontrou o jovem na portaria e subiu ao apartamento. No elevador, ele teria informado que outros dois amigos estariam no local e sugerido que fariam “algo diferente”, o que ela afirmou ter recusado.
Ainda conforme o depoimento, ao chegar ao imóvel, foi conduzida a um quarto. Durante o encontro com o adolescente, outros três rapazes teriam entrado no cômodo, feito comentários e iniciado contatos físicos sem consentimento.
A jovem relatou que concordou apenas com a permanência dos demais no quarto, sob a condição de que não houvesse contato físico. No entanto, segundo ela, os envolvidos passaram a tocá-la, beijá-la e, posteriormente, a forçaram a praticar atos sexuais. A vítima afirmou ainda que sofreu agressões físicas, como tapas, socos e um chute na região abdominal, e que foi impedida de deixar o local em determinado momento.
Após sair do apartamento, a adolescente enviou uma mensagem de áudio ao irmão dizendo acreditar ter sido vítima de estupro. Em seguida, contou o ocorrido à avó e procurou a delegacia para registrar o caso.
Imagens e mensagens
A investigação teve acesso às câmeras de segurança do prédio. As imagens mostram a chegada dos jovens e, depois, a entrada da adolescente acompanhada do suspeito. Também registram o momento em que ela deixa o imóvel em direção ao elevador.
Segundo o relatório policial, após acompanhá-la até a saída do edifício, o jovem retornou ao apartamento e fez gestos descritos pelos investigadores como de comemoração. Há ainda registros da saída dos demais investigados em horários próximos ao fato.
Conversas por aplicativo de mensagens entre a adolescente e o menor também foram incluídas no inquérito. Nos diálogos, ele convida a jovem para ir ao endereço e pergunta se ela poderia chamar uma amiga. Ela responde que não teria quem convidar, e o rapaz afirma que poderia ir sozinha. As mensagens mostram ainda a combinação do encontro na portaria e os horários de chegada.
Laudo pericial
O exame de corpo de delito apontou lesões compatíveis com violência física. Segundo o laudo, foram identificados infiltrado hemorrágico e escoriações na região genital, além de presença de sangue no canal vaginal. A perícia também descreveu equimoses nas regiões dorsal e glútea.
Testes rápidos apresentaram resultado positivo, e materiais foram coletados para exames genéticos e análise de DNA.
Defesa
Nota
“A defesa de João Gabriel Bertho nega com veemência a ocorrência de estupro. Duas decisões judiciais já haviam negado o pedido de prisão preventiva feitos anteriormente. Há nos autos do processo, mensagens de texto, trocadas entre a jovem e seu amigo, ambos com 17 anos, sobre a presença prévia de outros rapazes na casa em que eles se encontrariam, como de fato ocorreu. A jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo. No mesmo depoimento, ela relata ter tido outros pedidos atendidos. A defesa contesta o fato de João Gabriel, estudante e atleta profissional, sem nenhum histórico de violência, não ter tido oportunidade sequer de ser ouvido pela polícia para se defender. Contesta ainda que a imagem da jovem ao fim do encontro, se despedindo do amigo com um sorriso e um abraço, não tenha sido objeto da investigação”.
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