IRANDUBA | O prefeito de Iranduba, Augusto Ferraz, tornou-se alvo de uma grave controvérsia após a divulgação de áudios nas redes sociais que indicariam um suposto apoio da gestão municipal a uma ocupação de terras no município. A área mencionada fica no KM 19, onde está em implantação o Parque de Soluções Ambientais, projeto conduzido pela empresa Norte Ambiental.
Nos áudios, atribuídos a uma liderança comunitária, há a convocação de moradores para participar de uma mobilização com objetivo de ocupar o terreno. A pessoa orienta que interessados informem o número de participantes, menciona a disponibilização de ônibus para transporte até o local e cita reuniões com lideranças políticas, incluindo o prefeito e vereadores.
Em um dos trechos divulgados, a liderança afirma que o grupo deve se organizar para ir até a área no fim de semana, destacando que “o importante é estar lá para ficar”. Também há menção à possível distribuição de materiais como pregos, madeira compensada e lona para a construção de moradias improvisadas, o que indicaria a intenção de consolidar a ocupação.
Os áudios também orientam que participantes levem ferramentas para iniciar a limpeza do terreno, descrito como área de mata, reforçando a intenção de permanência no local. Há ainda referências a outras mobilizações e disputas fundiárias anteriores.
O terreno citado é estratégico para o município por abrigar o projeto do novo aterro sanitário, considerado fundamental para a destinação adequada de resíduos sólidos na região. A empresa responsável pelo empreendimento, a Norte Ambiental, informou que já formalizou denúncia junto às autoridades policiais e ao Ministério Público, alegando tentativa de invasão em área destinada à execução do projeto.
Segundo a empresa, provas estão sendo reunidas para subsidiar as investigações.
Possíveis implicações legais
Caso seja comprovado o envolvimento direto ou indireto da gestão municipal no financiamento ou apoio à ocupação, a conduta pode ter desdobramentos jurídicos. Especialistas apontam que o uso de recursos públicos para esse tipo de finalidade pode configurar crime de responsabilidade, conforme o Decreto-Lei nº 201/67, além de possíveis enquadramentos no Código Penal e na Lei de Improbidade Administrativa.
Até o momento, a Prefeitura de Iranduba não se manifestou oficialmente sobre o conteúdo dos áudios. O espaço segue aberto para posicionamento da administração municipal.