Uma declaração feita durante uma missa no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, colocou novamente política e religião no centro do debate público. O padre Ferdinando Mancilio criticou a chamada “caminhada pela liberdade”, organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), em uma homilia celebrada no dia 25 de janeiro. O discurso, no entanto, só ganhou ampla repercussão neste fim de semana, após circular nas redes sociais.
Durante a celebração, o religioso questionou o discurso adotado por lideranças políticas que, segundo ele, utilizam bandeiras populares para fins pessoais. Sem mencionar nomes, o padre afirmou que não vê coerência em atos políticos que se apresentam como defesa da vida ou da liberdade, mas que, em sua avaliação, escondem interesses de poder. “Não adianta fazer marcha para Brasília dizendo que defende a vida quando nunca houve um projeto real em favor do povo. Isso é mentira, é busca por poder”, declarou.
A caminhada citada pelo sacerdote saiu de Paracatu, em Minas Gerais, e percorreu mais de 200 quilômetros até Brasília. O ato contou com a participação de parlamentares aliados e lideranças políticas locais. Segundo Nikolas Ferreira, a mobilização teve como uma de suas principais pautas a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O encerramento do movimento foi marcado por um episódio grave. Durante o último dia da caminhada, um raio atingiu participantes do ato, deixando pelo menos 30 pessoas feridas. As vítimas foram socorridas e levadas a unidades de saúde. Não há informações oficiais sobre mortes.