A permanência do lixão no município de Iranduba voltou ao centro do debate político após declarações do promotor de Justiça Gerson de Castro, que afirmou que o problema é antigo e atravessa diferentes gestões sem uma solução concreta. O caso evidencia não apenas um passivo ambiental, mas também um impasse político-administrativo que se arrasta há anos.
Durante sua fala, o promotor destacou que o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) acompanha a situação há bastante tempo, cobrando providências do poder público municipal. Segundo ele, apesar das reiteradas notificações, recomendações e tentativas de diálogo institucional, o problema segue sem resolução, revelando falhas na condução das políticas públicas de gestão de resíduos sólidos.
A existência prolongada do lixão expõe a dificuldade das administrações municipais em cumprir a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê o encerramento de lixões e a adoção de soluções ambientalmente adequadas. Na avaliação de membros do MP, a falta de planejamento, somada à troca de governos ao longo dos anos, contribuiu para o agravamento da situação.
Politicamente, o tema tem gerado desgaste para o Executivo municipal, pressionado por órgãos de fiscalização, lideranças comunitárias e pela própria população afetada. O assunto também começa a ganhar espaço no debate entre vereadores e possíveis pré-candidatos, que passam a usar o problema como símbolo da falta de continuidade administrativa e de compromisso com o meio ambiente.
O promotor Gerson de Castro ressaltou que o Ministério Público não atua com viés político, mas que seguirá utilizando os instrumentos legais disponíveis para obrigar o poder público a apresentar um plano efetivo, com prazos definidos, para o encerramento do lixão. Caso contrário, não estão descartadas medidas judiciais mais severas, incluindo ações por improbidade administrativa.
Enquanto o impasse persiste, moradores das áreas próximas continuam sofrendo com os impactos ambientais e sanitários, tornando o lixão não apenas um problema técnico, mas um tema sensível no cenário político local, que pode influenciar decisões, alianças e o discurso eleitoral nos próximos períodos.
O MP informou que seguirá acompanhando o caso e cobrando respostas, reforçando que a solução depende, sobretudo, de vontade política e responsabilidade administrativa.