O Irã marcou para esta quarta-feira (14) a execução de um jovem acusado de participação em protestos contra o governo do país. Segundo a organização humanitária curdo-iraniana Hengaw, o manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, foi preso na cidade de Karaj e deverá ser executado por enforcamento, método mais comum adotado pelo sistema judiciário iraniano.
De acordo com a entidade, as autoridades informaram à família que a sentença de morte é definitiva. Parentes relatam que Soltani foi detido em casa na última quinta-feira (8), sem acesso a advogado e sem a realização de uma audiência judicial formal.
Caso seja confirmada, a execução será a primeira de um manifestante desde o início da atual onda de protestos no país. As manifestações começaram em dezembro, impulsionadas inicialmente pela crise econômica, e passaram a incluir críticas diretas ao regime estabelecido após a Revolução Islâmica de 1979.
O chefe do Judiciário iraniano anunciou anteriormente a criação de tribunais especiais para julgar casos relacionados às manifestações. Organizações de direitos humanos alertam para o risco de novas execuções. A ONG Iran Human Rights afirmou estar “extremamente preocupada” com a situação.
Levantamento do grupo HRANA, com sede nos Estados Unidos, aponta ao menos 538 mortes desde o início dos protestos, sendo 490 manifestantes e 48 agentes de segurança, além de mais de 10.600 prisões. Já uma fonte do governo iraniano ouvida pela agência Reuters estimou que o número de mortos possa chegar a 2.000, atribuindo as mortes a ações de “terroristas”.
A repressão tem sido alvo de críticas internacionais. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, declarou estar “horrorizado” com a violência empregada contra manifestações pacíficas. Testemunhos indicam disparos das forças de segurança contra manifestantes desarmados, enquanto restrições ao acesso à internet e a aplicativos de mensagens dificultam a checagem independente dos dados.
O governo do Irã afirma que a situação está sob controle e acusa Estados Unidos e Israel de estimularem a instabilidade. O chefe da polícia, Ahmad-Reza Radan, afirmou que as forças de segurança intensificaram as ações para preservar a segurança nacional. O presidente Masoud Pezeshkian, por sua vez, pediu que a população se afaste do que chamou de “terroristas e baderneiros” e sinalizou abertura para diálogo.
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