Pais de Benício lamentam nova decisão que nega prisão de médica e técnica um mês após a morte do filho e às vésperas de seu aniversário

Família lamenta nova decisão que nega prisão de médica e técnica após morte de criança de 6 anos.
Redação Imediato Online
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MANAUS-AM | A Justiça do Amazonas negou, pela segunda vez, o pedido de prisão preventiva da médica Juliana Brasil Santos e da técnica de enfermagem Raíza Bentes Paiva, investigadas pela morte do menino Benício Xavier, de 6 anos. A criança morreu após receber doses elevadas de adrenalina durante atendimento médico, em um caso que provocou forte comoção social e segue sob apuração policial.

O novo pedido de prisão foi apresentado no último domingo (21) pelo delegado Marcelo Martins, responsável pelas investigações. A decisão é do juiz de plantão Luiz Carlos Valoá, que entendeu que as medidas cautelares já impostas às investigadas são suficientes para garantir a ordem pública e o andamento do inquérito.

Entre as determinações judiciais estão a suspensão do exercício da medicina por parte de Juliana e da atividade profissional de enfermagem por Raíza, enquanto o caso segue em investigação.

A decisão judicial foi divulgada em uma data especialmente sensível para os familiares. Nesta terça-feira (23), completou-se um mês da morte de Benício, que faria sete anos de idade nesta quinta-feira (25).

Em nota, a família do menino lamentou a negativa do pedido de prisão e destacou o impacto emocional da decisão.

“Essa decisão veio no dia em que completou um mês da morte do nosso filho e às vésperas do que seria o aniversário de sete anos dele. É uma dor que se renova e machuca profundamente”, diz o comunicado.

Os familiares afirmaram confiar nas instituições, mas ressaltaram que esperavam medidas mais firmes diante da gravidade do caso e das provas registradas no próprio hospital. Segundo a nota, a cobrança não é por punição antecipada, mas por justiça e pela proteção de outras famílias.

Confira nota:

Nós confiamos nas instituições e seguimos acreditando que a Justiça cumprirá o seu papel perante, não só ao caso do Benício, mas também à sociedade.

Ainda assim, como família, é impossível não falar da dor profunda que sentimos. Essa segunda decisão veio em uma data simbólica e extremamente dolorosa: no dia em que se completou um mês da morte do nosso filho e às vésperas do que seria o aniversário dele. Isso machuca profundamente.

E, com toda sinceridade e respeito, diante de provas tão contundentes que constam nos próprios registros do hospital, esperávamos, sim, a adoção de medidas mais firmes, não por desejo de punição antecipada, mas pela gravidade dos fatos e pela necessidade de proteção da sociedade.

Apesar disso, não vamos desistir. Seguiremos confiando nas instituições, colaborando com todas as investigações e buscando justiça, com serenidade, responsabilidade e firmeza, para que a verdade venha à tona e para que nenhuma outra família passe pelo que estamos passando.

O caso

Benício Xavier morreu na madrugada de 23 de novembro após receber adrenalina por via intravenosa. A família sustenta que o óbito foi resultado de uma sequência de falhas no atendimento médico.

A médica Juliana Brasil Santos admitiu, em documentos e mensagens trocadas com outro profissional, o erro na prescrição da medicação. A defesa, no entanto, afirma que a admissão ocorreu “no calor do momento”. A técnica de enfermagem Raíza Bentes Paiva, responsável pela aplicação da substância, também é investigada.

De acordo com o delegado Marcelo Martins, o inquérito apura quatro frentes principais: a conduta da médica, da técnica de enfermagem, possíveis falhas estruturais do hospital e a hipótese de erro durante o procedimento de intubação.

Apesar da decisão judicial, a família afirmou que seguirá colaborando com as investigações e buscando justiça “com serenidade, responsabilidade e firmeza”, para que a verdade seja esclarecida e casos semelhantes não se repitam.

Foto: Reprodução / Montagem Imediato

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