A sétima edição do Concurso Nacional de Cacau Especial do Brasil reforçou a posição da Amazônia como referência no cultivo de cacau de alta qualidade. A cerimônia, realizada neste sábado (6) em Cacoal (RO), premiou produtores do Pará e de Rondônia nas categorias Varietal e Mistura, destacando o avanço técnico e sustentável da região na cadeia do cacau especial.
O concurso avaliou atributos físico-químicos, sensoriais e critérios de sustentabilidade, e tem contribuído para posicionar o Brasil no mercado internacional de cacau premium.
Na categoria Mistura, o primeiro lugar foi conquistado por Robson Brogni, de Medicilândia (PA), produtor já reconhecido em competições nacionais e internacionais. Na categoria Varietal, o vencedor foi Mauro Celso Tauffer, agricultor familiar de Buritis (RO), que mantém presença constante entre os premiados nos últimos anos.
A produção regional vem sendo impulsionada por modelos agrícolas integrados ao ecossistema amazônico. Os sistemas agroflorestais (SAFs) se destacam ao associar o cultivo do cacau a espécies nativas, ajudando a recompor áreas degradadas e aproveitando a característica do cacaueiro, que se desenvolve melhor sob sombra. O sistema tem fortalecido a sustentabilidade produtiva e ampliado a competitividade da região.
O evento reuniu cerca de 500 pessoas no Cacoal Selva Park, incluindo autoridades como o governador de Rondônia, Marcos Rocha, além de representantes do setor produtivo e da indústria do chocolate. Durante a solenidade, o governador ressaltou o papel crescente da Amazônia na agricultura nacional e afirmou que o concurso reflete o avanço tecnológico e o esforço dos produtores rurais do estado.
Avaliação e perfil sensorial amazônico
O concurso recebeu 108 amostras de diversas regiões do país, das quais 20 chegaram à etapa final. Os produtos foram transformados em líquor e chocolate 70% pelo Centro de Inovação do Cacau (CIC), responsável por padronizar o processo antes da degustação às cegas.
A análise envolveu especialistas do setor e um júri externo que avaliou os atributos sensoriais. Segundo Adriana Reis, gerente de qualidade do CIC, o cacau amazônico apresenta características marcantes, com notas frutadas, florais e baixo amargor, perfil que tem se destacado em competições nacionais e internacionais.
Os finalistas dividiram R$ 100 mil em prêmios. A avaliação também incluiu critérios socioambientais definidos pelo Currículo de Sustentabilidade do Cacau, que mede boas práticas de manejo e responsabilidade trabalhista. Para o diretor do CIC, Cristiano Villela, produtores que investem em sustentabilidade ganham vantagem competitiva no mercado.
Expansão do cacau especial
O crescimento do segmento bean-to-bar, que valoriza rastreabilidade e origem, tem aumentado o interesse pelo cacau amazônico. Embora ainda represente um nicho, o mercado oferece margens maiores e eleva o padrão de qualidade no campo.
Criado em 2018, o concurso é uma iniciativa do CIC, com apoio de entidades do setor e empresas públicas e privadas, entre elas o Governo de Rondônia, Mars, Dengo, Cacau Show, Netafim, Lacta e Instituto Arapyaú.
Vencedores – VII Concurso Nacional de Cacau Especial
Categoria Mistura
1º – Robson Brogni (Medicilândia – PA)
2º – Gilmar Batista de Souza (Uruará – PA)
3º – Miriam Aparecida Federicci Vieira (Medicilândia – PA)
Categoria Varietal
1º – Mauro Celso Tauffer (Buritis – RO) — Variedade BN34
2º – José Batista de Souza (Uruará – PA) — Variedade Casca Fina
3º – Luíz Anastácio da Silva (Cacoal – RO) — Variedade CEPEC 2022