O governo de Hong Kong informou, nesta sexta-feira (28), que o incêndio que atingiu um condomínio de arranha-céus e deixou mais de 120 mortos começou em telas de proteção usadas em reformas nos andares inferiores. O fogo se espalhou rapidamente pelos prédios por meio de placas de isopor e andaimes de bambu instalados ao redor das estruturas.
Segundo o secretário de Segurança, Chris Tang, um relatório preliminar aponta que as chamas se iniciaram na rede verde de proteção colocada na parte externa dos edifícios, que estavam em obras de renovação há cerca de um ano. As altas temperaturas provocaram a queima dos andaimes e a queda de pedaços de bambu, ampliando o avanço do fogo para outros andares.
As autoridades também informaram que o sistema de alarmes de incêndio do condomínio apresentava falhas e não funcionou corretamente durante o início das chamas.
O incêndio começou na quarta-feira (26) e só foi totalmente controlado pelos bombeiros quase 48 horas depois. O episódio é considerado o mais mortal registrado na cidade em três décadas. Até a última atualização, mais de 120 mortes haviam sido confirmadas, além de 79 feridos. Mais de 200 moradores permaneciam desaparecidos.
O conjunto habitacional afetado, localizado no distrito de Tai Po, possui cerca de 2 mil apartamentos distribuídos em oito torres de 31 andares e abriga aproximadamente 4,6 mil moradores.
A polícia informou que, até agora, nove pessoas foram presas por suspeita de negligência ligada ao incêndio. Entre elas estão três integrantes da construtora responsável pela obra, que devem responder por homicídio culposo. Outras seis pessoas foram detidas nesta sexta-feira. Segundo a investigação, as telas instaladas não atendiam aos padrões de segurança contra incêndio.
Na quinta-feira (27), policiais realizaram buscas no escritório da empresa responsável pelas reformas e apreenderam caixas de documentos relacionados ao caso.
Um bombeiro está entre as vítimas fatais, segundo a imprensa internacional. As equipes que atuaram no combate relataram dificuldade para acessar os prédios devido às temperaturas elevadas no interior das torres.
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