A denúncia já está sendo formalizada na Polícia Civil e na Polícia Federal por suspeita de uso de dinheiro público federal.
Iranduba (AM) – A gestão do prefeito Augusto Ferraz (União Brasil) voltou ao centro de uma nova polêmica após denunciantes afirmarem que o prefeito e o secretário municipal de Cultura, Moisés Lopes, estariam realizando transferências via Pix de R$ 1 mil para influenciadores, donos de blogs e perfis locais. O objetivo, segundo moradores, seria estimular publicações favoráveis ao prefeito e minimizar o impacto das denúncias que se multiplicaram ao longo da última semana.
Segundo a apuração, pelo menos 20 repasses foram identificados nas últimas 48 horas, realizados tanto pelo prefeito quanto pelo secretário. As denúncias circulam em grupos de moradores e entre lideranças comunitárias.

Semana de denúncias e forte pressão popular
Nos últimos sete dias, Iranduba registrou o que moradores descrevem como a maior onda de denúncias contra uma gestão municipal na história recente do município.
Somente a redação do Site Imediato recebeu mais de 100 mensagens, vídeos e pedidos de reportagem relatando problemas como:
- Obras paradas em bairros da Zona Rural e Zona Urbana;
- Falta de infraestrutura crônica, com ramais intrafegáveis;
- Postos de saúde sucateados;
- Falta de medicamentos;
- Atrasos em serviços essenciais;
- Situação crítica do lixão, que há meses gera fumaça tóxica e contamina a área;
- Acusações de uso político do tema do aterro sanitário;
- Contratos suspeitos envolvendo órgãos da prefeitura e empresas ligadas a figuras próximas ao governo.
A enxurrada de denúncias motivou manifestações públicas e movimentou lideranças comunitárias, que relatam articulação para uma passeata e até a possibilidade de um trancamento geral do município nos próximos dias, caso não haja respostas da administração.
Repasses via Pix geram suspeita
Em meio a esse cenário, começaram a circular comprovantes de transferências feitas pelo prefeito e pelo secretário de Cultura para influenciadores locais. Moradores apontam que os pagamentos seriam uma estratégia para “pautar” defensores da gestão nas redes sociais.
As denúncias começaram após influenciadores passarem a publicar vídeos elogiando o governo municipal exatamente no período de pico das reclamações populares.
Os questionamentos repercutem entre moradores:
De onde está vindo esse dinheiro?
Por que repassar valores a influenciadores enquanto a cidade enfrenta falta de infraestrutura, denúncias ambientais e problemas na saúde?
Até o momento, a Prefeitura de Iranduba não se pronunciou sobre os repasses.
Outras denúncias envolvendo a gestão Ferraz
As acusações desta semana se somam a uma série de episódios que já vinham colocando a administração municipal sob pressão.
- Motorista nomeado secretário de Cultura
O secretário de Cultura, Moisés Lopes, apontado como um dos envolvidos na distribuição de Pix, foi nomeado titular da pasta apesar de atuar como motorista pessoal do prefeito.
A nomeação ocorre sem histórico de atuação cultural — o que tem gerado críticas de artistas e produtores do município.
A polêmica cresceu após um episódio em que Moisés filmou e constrangeu um cinegrafista durante entrevista sobre o lixão da cidade.
- Contrato de R$ 1,6 milhão com empresa de transporte para produzir material gráfico
Outra denúncia aponta que o prefeito Ferraz e a secretária de Saúde, Luana Ferraz, contrataram por R$ 1.690.000 uma empresa cujo ramo é transporte coletivo, para realizar serviços de material gráfico da saúde municipal.
A empresa pertence a um ex-presidente da Comissão de Licitação do próprio município, levantando suspeita de conflito de interesse.
- Lixão mantido mesmo com aterro sanitário pronto
Moradores do km 6 e comunidades próximas denunciaram a permanência de um lixão a céu aberto, que já chegou a queimar por 22 dias, liberando fumaça tóxica.
Mesmo com o STDR Iranduba, sistema moderno de tratamento de resíduos, pronto para operar, o prefeito rejeitou o projeto — decisão considerada um retrocesso por ambientalistas.
- Ramais abandonados e obras paralisadas
Vídeos enviados por moradores mostram trechos do Ramal do Creuza abandonados há anos.
Promessas de asfalto foram iniciadas e interrompidas, segundo denunciam.
- Representações no Tribunal de Contas por dívidas e suspeita de desvio
A gestão também é alvo de investigações no TCE-AM:
- Dívida de R$ 14 milhões em contas de energia pública;
- Representação por possível desvio de recursos em empreendimento privado;
- Denúncias de contratos com suspeita de favorecimento.
Movimento popular cresce e moradores falam em paralisação geral
Nos bastidores, lideranças de ramais, comunidades rurais e bairros centrais articulam um grande ato público contra a administração.
Moradores afirmam que, se nada mudar, poderão “parar Iranduba” nos próximos dias, como forma de exigir transparência e soluções para problemas que se arrastam há anos.