Pais relatam espera de até oito horas por atendimento médico no Hospital Santo Antônio, em Boa Vista, Roraima. A falta de médicos, sistemas de atendimento inoperantes e superlotação deixam pacientes em risco e familiares indignados.
Boa Vista, Roraima – O Hospital Santo Antônio, mais conhecido como Hospital da Criança, vive uma situação crítica de atendimento nesta quinta-feira (30). Pais relatam esperas de horas por consultas médicas, enquanto pacientes com problemas de saúde enfrentam descaso e risco.
Segundo relatos, algumas famílias chegaram ao hospital desde as 16h e ainda não tinham sido atendidas às 23h30. O senhor Feliciano, que prefere não ser identificado, chegou às 18h e presenciou a sobrecarga do hospital: “Admiro que o prefeito diga que nossa capital é a capital da infância, quando a saúde das crianças sempre foi negligenciada. Que capital da primeira infância é essa?”, questionou.
A principal justificativa do hospital é a falta de médicos. Atualmente, apenas um profissional atende toda a demanda pediátrica, além de atender casos urgentes de crianças vindas de áreas indígenas, que têm prioridade no atendimento. “O pessoal que está aguardando tem que esperar mais duas ou três horas porque não tem médico suficiente”, disse Feliciano.
A situação se agrava para pacientes com condições de saúde específicas. A dona Brenda chegou ao hospital por volta das 21h30 com a filha apresentando dificuldade para urinar desde as 14h. “Ela tem um soprinho no coração, então a sobrecarga nos rins é perigosa. Hoje ela está desde as 14h sem conseguir urinar”, relatou Brenda. Sem atendimento imediato, a mãe precisou retornar para casa e tentar o atendimento no dia seguinte.
Pais também apontam que a sobrecarga se reflete nos profissionais: uma médica, responsável pelo atendimento, foi vista na recepção enquanto a demanda médica permanecia alta. A recepção do hospital conta com três funcionários, e problemas frequentes no sistema eletrônico de atendimento tornam o fluxo ainda mais lento.
O cenário de espera prolongada, descaso e risco para pacientes ocorre de forma recorrente, segundo relatos. A situação gera indignação e preocupação entre familiares que buscam atendimento básico para os filhos.
A população aguarda uma resposta da Secretaria de Saúde para ampliar a equipe médica, melhorar a organização do atendimento e evitar que pacientes continuem esperando horas por cuidados essenciais.