Ordem de despejo ameaça Aeroclube do Amazonas após 84 anos de história: ‘Estamos sendo sufocados’, diz presidente

Tradicional Aeroclube do Amazonas, com 84 anos de história, recebe ordem de despejo da Infraero e corre o risco de fechar as portas.
Redação Imediato Online
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O tradicional Aeroclube do Amazonas (ACA), fundado em 1940 e responsável pela formação de centenas de pilotos e profissionais da aviação civil, vive um dos momentos mais críticos de sua história. A instituição recebeu uma ordem de despejo emitida pela Infraero, com prazo final para cumprimento neste domingo (19).

A diretoria do Aeroclube informou que estará desde as 7h da manhã em sua sede, localizada no Aeródromo de Flores, zona Centro-Oeste de Manaus, à disposição da imprensa amazonense para prestar esclarecimentos e acompanhar o desdobramento da situação.

Segundo o presidente do Aeroclube, Cassiano Ouroso, a decisão judicial surpreendeu a instituição, que já tem um processo em andamento na Justiça Federal sobre o mesmo tema.

“Na última quarta-feira fomos surpreendidos com uma ação de despejo. Talvez por desconhecimento, a concessionária entrou com o pedido sem observar que já existe uma disputa judicial em curso. Estamos aqui desde 1940, formando pilotos, comissários e contribuindo com o desenvolvimento da aviação e do turismo do Amazonas. É um momento de grande preocupação”, afirmou Ouroso.

O dirigente explicou que o Aeroclube do Amazonas não é apenas um ponto histórico, mas uma escola de aviação civil reconhecida.

“No ano passado formamos 33 pilotos, e neste ano estamos próximos de dobrar esse número. O Amazonas é imenso e o Brasil precisa de pilotos. Hoje, estamos sendo impedidos de continuar com as aulas, o que prejudica toda a formação aeronáutica da região”, destacou.

Ouroso denunciou ainda que a Infraero teria ocupado parte da estrutura do aeródromo após uma decisão de emissão de posse obtida durante um plantão judicial, medida considerada abusiva pela direção do Aeroclube.

“A Infraero entrou com o pé na porta. Desde então, rompeu contratos com nossos permissionários e passou a fazer acordos diretos com os ocupantes dos hangares construídos pelo Aeroclube. Isso tirou as nossas fontes de renda e nos sufocou financeiramente”, afirmou.

Atualmente, o Aeroclube mantém suas atividades sem qualquer repasse de recursos públicos, sobrevivendo exclusivamente por meio das contribuições dos associados e da renda dos cursos oferecidos. Além da formação de pilotos e comissários, a instituição é conhecida por promover eventos gratuitos e tradicionais, como as chegadas do Papai Noel e do Coelhinho da Páscoa, que reúnem famílias inteiras no local.

Com 84 anos de história, o Aeroclube do Amazonas é uma das instituições mais antigas e respeitadas da aviação civil brasileira. Caso o despejo seja cumprido, a decisão pode representar o fim definitivo das atividades da escola de aviação mais antiga da Região Norte.

“A lei está do nosso lado. Só pedimos que a Justiça respeite o devido processo e compreenda a importância do Aeroclube para o Amazonas e para o Brasil”, concluiu Cassiano Ouroso.

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