Bolsonaro é hospitalizado em Brasília após crise de soluços e vômitos; Nova condenação por racismo pode ter agravado mal-estar

Ex-presidente Bolsonaro é hospitalizado em Brasília por crise de soluços e vômitos, possivelmente agravada por condenação recente por racismo.
Redação Imediato Online
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Brasília (DF) – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi levado às pressas para o Hospital DF Star, em Brasília, na tarde desta terça-feira (16), após apresentar um quadro de mal-estar grave, caracterizado por crise intensa de soluços, vômitos e queda de pressão arterial. Acompanhado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e escoltado por agentes da Polícia Penal, o líder conservador deixou sua residência no Jardim Botânico, onde cumpre prisão domiciliar desde agosto, para receber atendimento médico emergencial.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, foi o primeiro a divulgar o episódio em seu perfil na rede social X: “Presidente Bolsonaro sentiu-se mal há pouco, com crise forte de soluço, vômito e pressão baixa. Encaminhou-se ao DF Star acompanhado de policiais penais que vigiam sua casa, em Brasília, por se tratar de uma emergência. Peço a oração de todos para que não seja nada grave.”

A postagem rapidamente viralizou, gerando milhares de mensagens de apoio e orações de seguidores do ex-presidente.O cardiologista Leandro Echenique, que acompanha Bolsonaro desde 2018, confirmou à CNN que o ex-presidente deve passar a noite em observação no hospital para avaliação clínica, medidas terapêuticas e exames complementares.

Michelle Bolsonaro, presente no local, atualizou o estado de saúde em suas redes sociais, solicitando orações: “Peço que continuem orando por ele. Obrigada pelo carinho. Vai dar tudo certo!”

A legislação permite saídas da prisão domiciliar para emergências médicas, com comunicação obrigatória ao Supremo Tribunal Federal (STF) em até 24 horas.

Esse episódio ocorre apenas dois dias após Bolsonaro retornar ao mesmo hospital para um procedimento cirúrgico de remoção de lesões cutâneas no tronco e membro superior direito, realizado sob anestesia local e sedação, sem intercorrências.

Na ocasião, exames complementares diagnosticaram anemia por deficiência de ferro – possivelmente ligada a má alimentação – e resquícios de uma pneumonia recente, com a equipe médica classificando sua saúde geral como “frágil”.

Essa é a terceira saída de Bolsonaro da prisão domiciliar desde sua condenação inicial, e a segunda relacionada a questões de saúde.

Nova Condenação por Racismo Pode Ter Contribuído para o EstresseO mal-estar de Bolsonaro coincide com mais um revés judicial: nesta terça-feira, a 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre (RS), condenou o ex-presidente, por unanimidade, a pagar R$ 1 milhão em indenização por danos morais coletivos devido a declarações racistas proferidas em 2021, quando ainda era presidente.

A decisão, que cabe recurso, analisou uma ação civil pública movida pela Defensoria Pública da União (DPU) e pelo Ministério Público Federal (MPF) após comentários depreciativos sobre o cabelo “black power” de um apoiador negro durante uma live.Na ocasião, Bolsonaro ironizou: “Olha o cabelo do cara, parece que foi feito em casa. Quantos banhos por mês ele toma? Pode ser eleito deputado se criarem cota para feios”, comparando o penteado a um “criatório de baratas”.

O tribunal considerou as falas como “racismo recreativo”, configurando ofensa estigmatizante à população negra, ultrapassando os limites da liberdade de expressão e ferindo a dignidade coletiva da sociedade.

A União também foi condenada a pagar R$ 1 milhão, totalizando R$ 2 milhões a serem destinados a fundos públicos para combate ao racismo e promoção da igualdade racial.

Os autores da ação pediam inicialmente R$ 5 milhões de Bolsonaro e R$ 10 milhões da União, mas o relator, desembargador Rogério Favreto, reduziu os valores por considerá-los excessivos.

Além da indenização, Bolsonaro deve remover conteúdos discriminatórios de suas redes sociais e publicar retratação pública dirigida à população negra, via imprensa e plataformas digitais.

A defesa argumentou que as declarações eram “jocosas” e sem cunho racista, referindo-se apenas ao comprimento do cabelo, mas o colegiado rejeitou a tese.

Essa condenação soma-se à recente sentença de 27 anos e três meses de prisão em regime fechado, proferida pela Primeira Turma do STF em 11 de setembro, por suposta trama golpista.

Analistas sugerem que o acúmulo de pressões judiciais pode estar contribuindo para o estresse e o agravamento da saúde de Bolsonaro, que já enfrentou múltiplas internações em 2025, incluindo uma de três semanas em abril para tratamento de aderências abdominais.

A segurança no Hospital DF Star foi reforçada devido à presença do ex-presidente, com atenção redobrada para evitar incidentes.

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