A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) apresentou, nesta quinta-feira (11/09), o resultado da Operação Holograma, que desarticulou uma organização criminosa responsável pelo primeiro caso de clonagem de biometria facial por meio de inteligência artificial registrado no Estado. Os investigados aplicavam golpes milionários utilizando a técnica conhecida como “plástica digital”.
De acordo com o delegado Cícero Túlio, titular do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), a investigação durou cerca de dois meses e começou após vítimas descobrirem financiamentos de veículos em seus nomes, sem autorização ou conhecimento. A apuração identificou que imagens e vídeos usados para liberação de crédito haviam sido produzidos com inteligência artificial.
“Perícias apontaram que aproximadamente 99% do material apresentado para os financiamentos foi gerado por inteligência artificial, confirmando a clonagem da biometria facial das vítimas”, explicou o delegado.
Esquema criminoso
Segundo as investigações, o grupo coletava dados pessoais em bancos de informações e redes sociais, utilizando fotos e documentos das vítimas para criar hologramas capazes de reproduzir traços faciais em videochamadas de validação. Com isso, conseguiam a aprovação de financiamentos de veículos novos em concessionárias.
Os automóveis eram adquiridos em Manaus e enviados para outros estados, como São Paulo e Minas Gerais, especialmente para as cidades de Ribeirão Preto (SP) e Uberlândia (MG).
Prisões e apreensões
A operação cumpriu três mandados de prisão — dois preventivos e um temporário — e quatro de busca e apreensão. Em Ribeirão Preto, um casal foi preso preventivamente. O homem tem 38 anos e a mulher, 32, era responsável por retirar os veículos no Amazonas e enviá-los a outros estados. Em Uberlândia, uma jovem de 29 anos, que já respondia por tentativa de homicídio em 2016, também foi presa temporariamente.
Durante as diligências, três veículos zero quilômetro foram recuperados, além de celulares, computadores e documentos que reforçam a existência do esquema.
A polícia ainda apura possíveis ligações do grupo com organizações criminosas do Sudeste, com suspeita de que os carros pudessem ser utilizados para o transporte de drogas.
Os presos foram levados para audiências de custódia nas respectivas comarcas e permanecem à disposição da Justiça. Eles vão responder pelos crimes de estelionato, associação criminosa, falsificação de documentos e falsidade ideológica.
Fotos: Divulgação PC-AM