MANAUS (AM) – A gestão do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), enfrenta o pior índice de rejeição desde o início do seu segundo mandato. De acordo com levantamento do Instituto Census, divulgado em agosto de 2025, 57% da população desaprova a administração municipal, enquanto apenas 33% a avaliam de forma positiva. Outros 10% não souberam opinar.
O resultado confirma a tendência de desgaste político enfrentado pelo prefeito. Em outubro de 2024, pesquisa da AtlasIntel apontava rejeição de 45%. Em abril deste ano, o índice subiu para 52%, segundo o Direto ao Ponto. Agora, a nova sondagem mostra um salto de 12 pontos percentuais em menos de um ano.
Falhas e episódios que marcam a gestão
O aumento da insatisfação está diretamente ligado a falhas em áreas consideradas prioritárias, como infraestrutura e serviços públicos, além de episódios que ganharam repercussão negativa ao longo da administração.
Entre eles, destaca-se a viagem de David Almeida ao Caribe em fevereiro, durante o período de fortes chuvas e alagamentos em Manaus. Embora tenha sido apresentada como retiro espiritual, a presença da primeira-dama, Izabelle Fontenelle, em uma festa de luxo em St. Barth levantou críticas e levou o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) a investigar se houve uso de recursos públicos.
Outro ponto sensível é a situação dos Distritos de Obras da Prefeitura, que deveriam ser bases de planejamento urbano e execução de serviços básicos, mas se encontram em estado de abandono. Apesar de a Seminf ter movimentado mais de R$ 1 bilhão em 2024, os distritos apresentam reformas inacabadas, falta de pessoal e equipamentos sucateados.
Em junho, a morte da biomédica Giovana Ribeiro da Silva, de 29 anos e grávida de sete meses, intensificou as críticas à gestão. Ela morreu em um acidente na Avenida Djalma Batista, causado por um buraco na via. Laudos oficiais confirmaram que a depressão no asfalto foi determinante para a tragédia, e a Prefeitura só realizou o reparo após a grande repercussão.
Além disso, a retirada de ambulantes no Centro de Manaus gerou protestos. Guardas municipais e agentes da Semacc fecharam depósitos e apreenderam mercadorias, em uma ação considerada por trabalhadores e especialistas como forma de “limpeza social”.
Dívida crescente da Prefeitura
Outro fator de desgaste é o endividamento do município. Durante a gestão de David Almeida, a Prefeitura oficializou um empréstimo de R$ 500 milhões com o Banco do Brasil, elevando a dívida total para R$ 2,2 bilhões. O valor é quase três vezes maior do que o registrado em outras capitais da região, como Belém.
Metodologia da pesquisa
O levantamento do Instituto Census foi realizado entre os dias 20 e 22 de agosto de 2025, com 2 mil eleitores do Amazonas. A pesquisa possui margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, o que significa que os resultados se mantêm estáveis em diferentes cenários de amostragem.