São Paulo, 15 de agosto de 2025 – O influenciador paraibano Hytalo Santos, de 28 anos, foi preso nesta sexta-feira (15/8) em São Paulo, alvo de investigações do Ministério Público da Paraíba (MPPB) e do Ministério Público do Trabalho (MPT) por suposta exploração e exposição de menores em conteúdos para redes sociais. A prisão ocorre após denúncias de “erotização” de crianças e adolescentes, amplificadas por um vídeo do youtuber Felca, que possui mais de 4 milhões de inscritos.
As investigações, iniciadas em 2024 após denúncias anônimas via Disque 100 e reclamações de vizinhos em João Pessoa, apuram violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O MPPB, por meio das promotorias de João Pessoa (promotor João Arlindo Corrêa Neto) e Bayeux (promotora Ana Maria França), investiga um possível esquema de benefícios, como celulares e pagamento de aluguéis, oferecidos a familiares de adolescentes em troca de sua emancipação para participação em vídeos. Entre os conteúdos, estão danças com conotação sexual, cenas de “namoro” e perguntas inadequadas, como “já pegou mais de quatro na balada?”.
Na terça-feira (12/8), a Justiça da Paraíba determinou a suspensão dos perfis de Hytalo nas redes sociais, a desmonetização de seus conteúdos e a proibição de contato com os adolescentes envolvidos. Na quarta-feira (13/8), uma busca na residência de Hytalo, em um condomínio de luxo no bairro Portal do Sol, encontrou o imóvel vazio, com portas trancadas e uma máquina de lavar ligada. Na quinta-feira (14/8), a Justiça autorizou novas buscas em três endereços em João Pessoa, apreendendo celulares e um computador para análise pericial. O marido de Hytalo, Israel Nata Vicente (Euro), também é investigado.
O MPT, sob o procurador Flávio Gondim, analisou mais de 50 vídeos e colheu 15 depoimentos, apontando indícios de exploração do trabalho infantojuvenil. A promotora Ana Maria França destacou que as denúncias partiram de vizinhos, que relataram festas com bebidas alcoólicas e adolescentes em situações inadequadas. O MPPB, MPT e Polícia Civil também solicitaram à Loteria do Estado da Paraíba (Lotep) a suspensão da empresa de rifas de Hytalo, “Fartura Premiações”, por uso irregular de imagens de menores.
A defesa de Hytalo nega as acusações, afirmando que ele colabora com as autoridades e que as gravações contavam com o consentimento das mães dos adolescentes. O caso, que ganhou repercussão após o vídeo de Felca, pode resultar em penas de até 15 anos por crimes como estupro de vulnerável e produção de pornografia infantil, segundo a especialista em direito digital Juliana Nóbrega.