Um grave acidente ocorrido no início da manhã do dia 2 de julho, no bairro Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus, revelou uma série de irregularidades envolvendo a responsabilidade de um empresário e a condução imprudente de um veículo. A caminhonete RAM preta, placa TAC-7E87, que provocou a colisão, estava sob controle de Pedro Ivan Melo da Silva, 22 anos, que dirigia embriagado e com a carteira de habilitação vencida há quase um ano.
A colisão aconteceu por volta das 9h, quando Pedro, em alta velocidade, atingiu violentamente a traseira de um Jeep Renegade conduzido por uma mulher de 63 anos. A vítima estava acompanhada do neto de três anos e sinalizava a intenção de entrar no estacionamento de uma escola particular. Com o impacto, o Jeep foi arremessado contra o muro da instituição, deixando os dois ocupantes feridos. A mulher chegou a perder a consciência e sofreu múltiplas lesões. Ambos foram socorridos e encaminhados ao Hospital João Lúcio, na Zona Leste da cidade.
Pedro Ivan foi preso em flagrante e teve a liberdade provisória negada pela Justiça do Amazonas. O teste de alcoolemia realizado no Hospital 28 de Agosto constatou teor de 0,34 mg/L de álcool no organismo, mais de seis vezes o limite permitido. Em depoimento à polícia, o condutor afirmou ter ingerido gin e vodca até as 23h do dia anterior, negando o consumo no dia do acidente, apesar das diversas garrafas vazias encontradas no interior do veículo.
A investigação também revelou que o condutor não possuía habilitação válida desde setembro de 2023. Mesmo assim, o empresário Alexandre Martins Soares Filho, de 21 anos, sócio da Amazonpostes Indústria de Artefatos de Concreto, Ferro e Fibra Ltda, admitiu ter emprestado o veículo a Pedro Ivan, alegando confiar no amigo e desconhecer a situação da CNH. Alexandre afirmou que o objetivo era que Pedro buscasse amigos no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes e devolvesse o carro em seguida.
Imagens de segurança de um motel localizado na Avenida Coronel Teixeira mostram a caminhonete entrando no local às 5h03 do dia 2 de julho, permanecendo ali até às 8h54, poucos minutos antes do acidente. A saída do estabelecimento foi registrada com manobras bruscas, o que reforça os indícios de embriaguez.
Com base nas apurações, Alexandre Martins também foi incluído no inquérito policial por infração ao artigo 310 do Código de Trânsito Brasileiro, que pune quem entrega a direção de veículo a pessoa não habilitada ou sob efeito de álcool.
O caso agora está sob análise do Ministério Público e da Justiça do Amazonas, e pode levar tanto o condutor quanto o proprietário do veículo a responder criminalmente.
NOTA PRISÃO POLICIAL
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio das equipes do 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), cumpriu na manhã desta terça-feira (29/07) mandado de prisão preventiva contra o policial militar da reserva, que estava à disposição da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), acusado de estupro por uma interna do sistema prisional, que estava sendo transferida de Humaitá para Manaus, no dia 18 de julho deste ano.
O agente foi preso em casa, no bairro da Cidade Nova e, após os procedimentos cabíveis, será encaminhado à audiência de custódia, ficando à disposição da Justiça. Durante a ação, também foi realizada busca e apreensão na residência.
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), ao tomar conhecimento do fato, adotou imediatamente todas as medidas para prestar a assistência necessária à interna, acionando a Defensoria Pública do Estado (DPE-AM), Polícia Civil e o Ministério Público (MP-AM), que realizaram escuta qualificada da vítima.
A denúncia do abuso foi feita no momento da chegada ao Centro de Detenção Feminino (CDF), quando a interna passou por todos os procedimentos de triagem padrão realizados pela Seap, que incluem avaliação médica e atendimento psicossocial.
Um Boletim de Ocorrência (BO) foi registrado e a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) abriu inquérito para investigar o caso no dia 21 de julho. Os servidores envolvidos na ocorrência foram afastados imediatamente e, em seguida, exonerados das funções que exerciam na secretaria.
A Corregedoria-geral de Justiça do Sistema de Segurança Pública do Amazonas abriu sindicância administrativa para apurar os fatos e eventuais responsabilidades. Por se tratar de Policiais Militares, que estavam à disposição da Seap, a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) também vai instaurar procedimento administrativo para apurar a conduta dos agentes.
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