Um mês após tragédia, família de biomédica grávida cobra justiça por mortes causadas por buraco em via de Manaus

Família de biomédica grávida cobra justiça por mortes causadas por buraco em via de Manaus.
Redação Imediato Online
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Acidente na Avenida Djalma Batista matou a biomédica Giovana Ribeiro, grávida de 7 meses; laudo aponta buraco como causa exclusiva da tragédia. Prefeitura é acusada de omissão.

Manaus (AM) — Um mês se passou desde o trágico acidente que tirou a vida da biomédica esteta Giovana Ribeiro da Silva, de 29 anos, e da filha que ela esperava, Maria Carolina, de sete meses de gestação. A tragédia aconteceu na noite do dia 22 de junho, na Avenida Djalma Batista, uma das principais e mais movimentadas vias da capital amazonense.

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Giovana estava na garupa da motocicleta conduzida pelo companheiro, João Victor, quando o casal tentou desviar de um buraco aberto na pista. O veículo perdeu o controle, e Giovana foi arremessada contra o canteiro central. Mesmo com os esforços da equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ela não resistiu aos ferimentos e morreu no local. A bebê também não sobreviveu.

Segundo o laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML), as causas da morte foram anemia e hemorragia aguda, traumatismo torácico e abdominal por ação contundente. O documento ainda confirmou que o acidente foi provocado unicamente pelo buraco na via.

“A culpa não foi do viúvo, foi do buraco”

A família da vítima resolveu quebrar o silêncio e denunciar o que classificam como negligência e descaso por parte da Prefeitura de Manaus e da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf).

“A culpa não foi do meu cunhado. Ele jamais colocaria a própria esposa e filha em risco. O laudo é claro: o único fator que causou a tragédia foi aquele buraco. O que mais dói é saber que já sabiam do problema e não fizeram nada”, desabafou a irmã de Giovana.

Ainda segundo familiares, outros dois acidentes já haviam ocorrido no mesmo local antes da tragédia com Giovana. Uma das vítimas, inclusive, ainda estaria internada. Relatos de moradores e trabalhadores da área confirmam que a cratera era um problema antigo e recorrente.

O caso gerou ainda mais indignação após o buraco ter sido tapado na manhã seguinte ao acidente fatal, o que para a família evidencia a omissão e a tentativa de encobrir a falha.

“Eles só taparam o buraco depois que a Giovana e a bebê morreram. E isso não vai trazer elas de volta. A gente só quer justiça. Não foi um acidente. Foi uma tragédia anunciada”, afirma a irmã da vítima.

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A revolta aumenta ao lembrar que, uma semana antes da morte de Giovana, uma outra mulher sofreu um acidente no mesmo local, que resultou em ferimentos graves.

Desde a tragédia, o companheiro de Giovana tem sido alvo de críticas e julgamentos injustos nas redes sociais. A família esclarece que naquela noite, o casal saiu de casa para buscar materiais de trabalho, pois Giovana atuava como biomédica esteta e teria compromissos profissionais no dia seguinte.

“Não estavam passeando. Ela estava indo pegar insumos para o trabalho. Giovana era profissional, responsável, dedicada. Ela tinha uma vida inteira pela frente.”

A família exige explicações da Prefeitura de Manaus e pede responsabilização dos gestores públicos. Para eles, não é aceitável que tragédias como essa sejam tratadas como “acidentes inevitáveis”.

“Não podemos dizer que foi Deus. Foi negligência. Foi abandono. O prefeito, o secretário de infraestrutura, todos sabiam da situação. Quantas vidas mais precisam ser perdidas para que algo seja feito?”

RELEMBRE O CASO

No dia 22 de junho de 2024, a biomédica Giovana Ribeiro e o companheiro trafegavam pela Av. Djalma Batista, quando foram surpreendidos por um buraco na pista. O casal caiu da moto, e Giovana foi lançada ao canteiro central. A filha que ela esperava, Maria Carolina, também morreu.

O laudo do IML atribuiu exclusivamente ao buraco a responsabilidade pela morte. O velório das duas foi realizado no dia seguinte, na Igreja Assembleia de Deus, no bairro Monte das Oliveiras, Zona Norte de Manaus.

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