Veja o vídeo: “Meu irmão não tinha envolvimento com coisas erradas; esse crime foi homofobia”, afirma irmã de psicólogo

Irmã de psicólogo morto em Manaus afirma que crime foi motivado pela orientação sexual da vítima.
Redação Imediato Online
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O corpo do psicólogo Manoel Guedes Brandão Neto, de 42 anos, foi encontrado na manhã desta segunda-feira (21) em uma área próxima à antiga Penitenciária Raimundo Vidal Pessoa, localizada na Avenida Lourenço da Silva Braga, em Manaus (AM). Manoel estava desaparecido desde a noite do último sábado (17), quando teria saído para encontrar amigos após participar de uma confraternização familiar.

A vítima, que também cursava Farmácia e atuava como estagiário no Hospital Santa Júlia, foi localizada por uma pessoa em situação de rua. Segundo a irmã da vítima, Catarina da Silva Braga, o morador teria informado sobre a localização do corpo após ela mostrar a foto do irmão durante as buscas.

O corpo de Manoel foi encontrado coberto por uma lona preta, com sinais de espancamento, mordidas possivelmente de ratos e formigas, e estava em decúbito ventral (de bruços). A calça da vítima estava abaixada até as pernas, o que levantou a suspeita de abuso sexual. Além disso, pertences como celular e relógio foram levados.

“Meu irmão foi espancado até a morte. Ele era um homem bom, estudioso, querido. Formado em Psicologia, estava fazendo outra faculdade. E eu não tenho dúvidas: mataram meu irmão por ele ser gay. Isso foi um crime de ódio. Isso foi homofobia”, desabafou Catarina, muito abalada.

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Ela relatou que o irmão não fazia uso de drogas e tinha uma vida tranquila. Na noite do desaparecimento, Manoel esteve em uma festa com a família até por volta das 22h30 e, em seguida, disse que ficaria com amigos próximo de casa. A última postagem dele nas redes sociais foi às 3h45 da madrugada de domingo (18). As imagens de câmeras de segurança mostram Manoel atravessando uma rua, aparentemente assustado, como se estivesse fugindo de alguém — essa foi a última vez em que ele foi visto com vida.

Catarina também criticou o descaso com a área onde o corpo foi encontrado. “Isso aqui é um deserto cheio de moradores de rua, onde falta segurança, falta tudo. A gente vive em constante medo”, afirmou. Ela ainda questionou a liberação do morador de rua que encontrou o corpo. “Ele sabia exatamente onde estava. E foi liberado logo depois. Isso é revoltante.”

A perícia esteve no local e o corpo foi removido pelo Instituto Médico Legal (IML). A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), investigará o caso. A principal linha de investigação é latrocínio (roubo seguido de morte), mas não se descarta a motivação homofóbica, como apontado pela família.

A morte de Manoel Guedes causou forte comoção nas redes sociais e entre colegas de profissão. Familiares, amigos e representantes da comunidade LGBTQIA+ pedem justiça e apuração rigorosa do crime.

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