Lula reage contra EUA após revogação de visto de Moraes, mas ignora abusos do STF

Lula critica decisão dos EUA de revogar visto de Moraes, mas ignora abusos do Judiciário brasileiro.
Redação Imediato Online
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O presidente Lula se posicionou neste sábado (19) contra a decisão do governo dos Estados Unidos de revogar os vistos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e de seus familiares. A medida foi vista como uma resposta à crescente politização do Judiciário brasileiro, especialmente nas ações lideradas por Moraes contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados.

A revogação dos vistos diplomáticos foi anunciada após pressões da ala republicana americana, liderada por Marco Rubio, que denunciou Moraes por comandar uma “caça às bruxas” com motivação política contra adversários da esquerda. A interferência foi motivada por preocupações com violações de direitos fundamentais no Brasil, como a censura de redes sociais e prisões sem julgamento justo.

Durante coletiva, Lula classificou a atitude dos EUA como uma “intromissão inaceitável”, mas ignorou as reiteradas denúncias de abuso de autoridade por parte do STF. “Trump não revogou o visto de ministros nomeados por Bolsonaro”, reclamou, em tom político. Para críticos, a reação do presidente revela mais preocupação com a imagem de Moraes do que com os limites constitucionais das instituições brasileiras.

A medida dos Estados Unidos também coincide com a intensificação das investigações contra Bolsonaro, que nesta semana foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica por decisão de Moraes — decisão considerada desproporcional por juristas independentes e apoiadores do ex-presidente.

Enquanto Lula fala em “ataques à soberania”, cresce a percepção de que o Judiciário brasileiro vem ultrapassando suas competências, cerceando liberdades individuais e atuando como instrumento político para calar a oposição. Nos bastidores, aliados de Bolsonaro avaliam que a medida dos EUA representa um alerta internacional sobre os rumos da democracia no Brasil.

A situação expõe o desconforto crescente entre os Três Poderes e levanta questionamentos sobre até que ponto o STF pode atuar sem limites diante da omissão dos demais órgãos de controle. Para muitos, a verdadeira “intromissão” está sendo feita dentro do próprio país, com o silêncio cúmplice do Executivo.

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