Um jovem identificado como Marcus Suel Pacheco Viana denunciou ter sido vítima de agressões e abuso policial após uma abordagem da Polícia Militar durante uma festa no bairro Dr. Sílvio Botelho, em Boa Vista, Roraima. O caso teria ocorrido em fevereiro de 2023, e imagens divulgadas recentemente mostram parte da confusão e o momento em que Marcus tenta registrar o boletim de ocorrência na delegacia.
Segundo ele, a confusão começou após a chegada de uma equipe da PM em um posto de combustível, onde ocorria a confraternização. Os policiais teriam sido acionados por causa de som alto, e, mesmo após deixar o local, Marcus afirma que foi seguido pelos agentes e abordado próximo à Praça Germano Sampaio. Lá, teria sido revistado de forma agressiva e xingado de “vagabundo”. Em seguida, segundo seu relato, foi espancado com socos, chutes e tapas, além de atingido por um disparo de bala de borracha na perna.
O jovem também alega que seus celulares foram tomados pelos policiais e que amigas que estavam com ele foram ameaçadas a apagar vídeos que registravam a abordagem. Uma das testemunhas, Brena Vieira da Silva, disse ainda ter sido vítima de importunação sexual durante a revista, relatando que um dos policiais tocou suas partes íntimas sem consentimento.
Marcus contou que, ao tentar registrar o boletim de ocorrência na 17ª Delegacia da Polícia Civil, encontrou os mesmos policiais no local. Segundo ele, novas agressões aconteceram dentro da unidade, acompanhadas de ameaças e constrangimento.
Apesar de ter apresentado imagens de câmeras de segurança, laudo do Instituto Médico Legal (IML) e testemunhos em sua defesa, Marcus acabou sendo denunciado pelo Ministério Público pelos crimes de desacato, ameaça e condução sob efeito de álcool. A denúncia afirma que ele teria desobedecido ordens e insultado os policiais, recusando-se a realizar o teste do bafômetro.
A Polícia Militar de Roraima declarou que está acompanhando o caso e buscará informações junto à Polícia Civil para apuração dos fatos, garantindo o direito ao contraditório e à ampla defesa aos policiais envolvidos. A corporação também afirmou que repudia qualquer desvio de conduta e que eventuais excessos serão investigados conforme a lei.