O etanol hidratado se destacou como uma opção mais econômica que a gasolina em sete estados brasileiros na semana de 6 a 12 de julho de 2025, conforme levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), compilado pelo AE-Taxas. Com uma paridade média nacional de 66,68% em relação à gasolina, o biocombustível foi mais vantajoso em estados como Mato Grosso, São Paulo, e Minas Gerais, impulsionado pela proximidade de regiões produtoras de cana-de-açúcar e pela oferta estável de etanol.
No entanto, os preços variaram significativamente, com o menor preço médio estadual registrado em Mato Grosso (R$ 3,77/litro) e o maior no Amazonas (R$ 5,49/litro).
Competitividade do Etanol
O etanol é considerado economicamente viável quando seu preço é até 70% do valor da gasolina, devido à diferença de rendimento energético entre os combustíveis. Na semana analisada, a paridade nacional de 66,68% indica vantagem do biocombustível, com destaque para os seguintes estados:
- Mato Grosso: 62,01% (R$ 3,77/litro, menor preço médio estadual).
- São Paulo: 65,45% (R$ 3,96/litro, preço estável).
- Mato Grosso do Sul: 65,55%.
- Paraná: 67,69%.
- Minas Gerais: 68,02%.
- Goiás: 68,06%.
- Acre: 69,99%.
Executivos do setor, citados pelo AE-Taxas, observam que o etanol pode permanecer competitivo mesmo com paridade superior a 70%, dependendo da eficiência do motor flex-fuel do veículo. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) destaca que São Paulo, responsável por 60% da produção nacional de etanol, lidera a competitividade devido à logística favorável e à alta oferta de cana-de-açúcar.
Variação de Preços
O preço médio nacional do etanol subiu 1,20% em relação à semana anterior, passando de R$ 4,16 para R$ 4,21/litro. As variações estaduais foram:
- Queda em 14 estados: A maior redução foi em Rondônia (-1,92%), com o litro caindo de R$ 5,21 para R$ 5,11.
- Alta em 3 estados: O Distrito Federal registrou o maior aumento (+0,64%), com o litro subindo de R$ 4,68 para R$ 4,71.
- Estabilidade em 9 estados e no DF: Inclui São Paulo, com preço estável em R$ 3,96/litro.
Os extremos de preço por posto foram:
- Menor preço: R$ 3,19/litro em São Paulo.
- Maior preço: R$ 6,36/litro em Santa Catarina, estado com o etanol mais caro do país.
- Menor preço médio estadual: Mato Grosso (R$ 3,77/litro).
- Maior preço médio estadual: Amazonas (R$ 5,49/litro).
Contexto e Fatores de Preço
A competitividade do etanol é impulsionada pela safra recorde de cana-de-açúcar prevista para 2025/2026, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que estima uma produção de 670 milhões de toneladas de cana, com São Paulo respondendo por 60%.
A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) aponta que o etanol representou 18% do consumo de combustíveis leves em 2024, beneficiado por políticas como o RenovaBio, que incentiva biocombustíveis com créditos de descarbonização (CBIOs). No entanto, em estados como Santa Catarina e Amazonas, a distância das regiões produtoras eleva os custos logísticos, encarecendo o etanol.
A recente Lei da Reciprocidade Econômica, regulamentada em 15 de julho de 2025, pode impactar o setor de combustíveis, especialmente diante de ameaças como a tarifa de 50% proposta por Donald Trump sobre produtos brasileiros, incluindo etanol. O Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas, liderado pelo MDIC, avalia possíveis retaliações, como aumento de tarifas sobre combustíveis fósseis importados, o que poderia beneficiar ainda mais o etanol.Comparação Regional: São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso e Amazonas
- São Paulo: Preço médio de R$ 3,96/litro e paridade de 65,45% tornam o etanol altamente competitivo. O estado, maior produtor de cana, oferece o menor preço por posto (R$ 3,19/litro) e benefícios logísticos.
- Mato Grosso: Menor preço médio estadual (R$ 3,77/litro) e paridade de 62,01%, reforçada pela crescente produção de etanol de milho, que atingiu 22% da produção total em 2025, segundo a Unem.
- Santa Catarina: Etanol mais caro do país (R$ 6,36/litro em um posto), com preço médio de R$ 4,94/litro e paridade desfavorável (75,11% ante gasolina a R$ 6,59/litro), devido à dependência de transporte de outras regiões.
- Amazonas: Maior preço médio estadual (R$ 5,49/litro), com paridade acima de 70%, tornando a gasolina mais vantajosa. A logística desafiadora eleva os custos de distribuição.