Vídeo: PM do Distrito Federal agride mulher em briga de trânsito

Mulher é agredida por sargento da Polícia Militar durante briga de trânsito no Distrito Federal.
Redação Imediato Online
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A psicopedagoga Karla Christinna Pereira, de 43 anos, vítima de agressão por parte do sargento da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Antônio Haroldo Camelo da Silva, de 56 anos, relatou ao G1 os impactos físicos e emocionais do episódio ocorrido em 20 de maio de 2025, em Taguatinga Sul, Distrito Federal. O caso, registrado por câmeras de segurança, ganhou repercussão após as imagens serem divulgadas em 3 de julho, evidenciando uma briga de trânsito que escalou para agressões físicas e verbais.

A Polícia Civil do DF (PCDF) investiga o caso como lesão corporal, injúria, furto e dano, enquanto a Corregedoria da PMDF apura a conduta do militar, que foi afastado do serviço operacional e teve o porte de arma suspenso.Detalhes da AgressãoSegundo o boletim de ocorrência registrado por Karla na 15ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Centro), a confusão começou em uma rua com carros estacionados irregularmente. Karla, dirigindo um Renault verde-musgo, parou para aguardar a passagem de outro veículo, quando o sargento Antônio, em um Peugeot branco, buzinou insistentemente atrás dela. Após Karla sinalizar para que ele esperasse, Antônio desembarcou, gesticulou e proferiu insultos como “maluca”, “idiota”, “merda”, “vagabunda” e “tinha de ser mulher ao volante”.

A discussão escalou quando Karla atravessou a rua, bateu no vidro traseiro do carro do sargento e tentou registrar a placa. Antônio, então, acelerou o veículo com Karla à frente, arrastando-a por alguns metros ao entrar na garagem de um prédio. Em seguida, ele desceu do carro e agrediu Karla com empurrões, chutes no abdômen, socos na lateral do rosto e uma rasteira, que a fez desmaiar. Moradores e funcionários do condomínio intervieram, afastando o militar e socorrendo a vítima. Durante a confusão, a porta do carro de Karla ficou aberta, e sua bolsa, contendo documentos, um aparelho de glicemia e outros itens, foi furtada.

Karla sofreu escoriações no cotovelo, lesões na cervical, na região mamária e manchas na coxa esquerda, conforme exame de corpo de delito. Ela está afastada do trabalho desde o ocorrido, usa medicamentos para dores e estabilidade emocional, e relata medo de sair de casa sozinha. “Não passo um dia sem chorar. É uma tristeza diária. Fisicamente, ainda tenho dores. Tenho diabetes, e o emocional agrava o quadro”, desabafou ao Metrópoles. “Se não fossem os moradores, eu teria apanhado muito mais.”

Defesa do Sargento

Antônio Haroldo Camelo da Silva, conhecido como Sargento Camelo, afirmou em depoimento à PCDF que estava “nervoso” e não se lembra das agressões. Ele alegou que Karla iniciou o conflito ao danificar o vidro de seu carro e impedi-lo de entrar na garagem, e que “agiu dentro da razão, sem excesso”. Em áudio enviado à TV Globo, o sargento negou a gravidade das agressões, afirmando que “apenas se defendeu”. A defesa de Antônio ainda não se pronunciou publicamente, e o Metrópoles informou que tenta contato com os advogados de ambas as partes.

Investigações e Medidas

A 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Centro) conduz a investigação criminal, que inclui análise das imagens de segurança e perícia no local. Um Termo Circunstanciado foi lavrado por lesão corporal (Art. 129 do Código Penal, pena de 3 meses a 1 ano), injúria (Art. 140, pena de 1 a 6 meses), furto (Art. 155, pena de 1 a 7 anos) e dano (Art. 163, pena de 1 a 6 meses). A PCDF segue com diligências para esclarecer as circunstâncias, incluindo o furto da bolsa.

A PMDF classificou o ato como “covarde” e instaurou um procedimento na Corregedoria para apurar a conduta de Antônio, que foi transferido para funções administrativas e teve o porte de arma suspenso. A corporação destacou que “repudia todo tipo de violência, especialmente contra mulheres”, e que, desde 2024, policiais passam por capacitação sobre proteção às mulheres.

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