Um médico de cuidados paliativos de 40 anos, identificado como Johannes M., começou a ser julgado nesta segunda-feira, 14 de julho de 2025, em Berlim, acusado de assassinar 15 pacientes entre setembro de 2021 e julho de 2024. Apelidado de “Doutor Morte” pela imprensa alemã, ele teria injetado um coquetel letal de sedativos e relaxantes musculares em 12 mulheres e três homens, com idades entre 25 e 94 anos, sem consentimento.
Em cinco casos, ele é acusado de incendiar as residências das vítimas para encobrir os crimes. A Promotoria de Berlim busca prisão perpétua, alegando que Johannes M. agiu por “prazer em matar”, e investiga outras 96 mortes suspeitas, incluindo a da sogra do acusado. O julgamento, que pode reescrever a história criminal alemã, está marcado até 28 de janeiro de 2026, com 35 audiências previstas.
Detalhes do Caso
Johannes M., que trabalhava em uma equipe de cuidados paliativos em Berlim, é acusado de administrar anestésicos e relaxantes musculares que paralisavam os músculos respiratórios, causando morte por asfixia em minutos. Os crimes ocorreram em visitas domiciliares, sob o pretexto de atendimento médico. Em cinco ocasiões, ele teria ateado fogo às casas das vítimas, como no caso de uma mulher de 87 anos em Neukölln, em junho de 2024, que foi reanimada, mas morreu no hospital. Em 8 de julho de 2024, ele teria matado dois pacientes no mesmo dia: um homem de 75 anos em Kreuzberg e uma mulher de 76 anos em Neukölln, onde a tentativa de incêndio falhou. O alerta foi dado em julho de 2024 por uma colega, que notou a alta incidência de mortes associadas a incêndios, segundo o jornal Die Zeit.
Investigações e Acusações
Preso em agosto de 2024, Johannes M. foi inicialmente acusado por quatro mortes, mas investigações expandiram o número para 15. Uma equipe especial da polícia de Berlim analisa 395 casos, incluindo 96 mortes suspeitas, como a da sogra do médico, vítima de câncer, que morreu durante uma visita do casal na Polônia em 2024. O promotor Philipp Meyhöfer afirmou que o acusado “explorou a confiança dos pacientes” e agiu como “mestre da vida e da morte”. Johannes M., que não confessou os crimes, limitou-se a confirmar sua identidade no tribunal. Seu advogado, Christoph Stoll, disse que ele não fará declarações por enquanto.
Contexto e Perfil do Acusado
Formado em radiologia e clínica geral, Johannes M. especializou-se em cuidados paliativos e trabalhava em Tempelhof e Kreuzberg. Em 2013, ele apresentou uma tese de doutorado na Universidade Goethe de Frankfurt intitulada “Homicídios em Frankfurt – Uma Visão Geral de 1945 a 2008”, começando com a pergunta: “Por que as pessoas matam?”. A Promotoria alega que ele não tinha motivo além de uma “luxúria por matar”, comparando o caso ao de Niels Hoegel, condenado em 2019 por 85 assassinatos, o maior serial killer da Alemanha moderna. Outros casos recentes, como o de uma enfermeira julgada em Aachen por nove mortes, reforçam a preocupação com crimes em cuidados paliativos.Próximos Passos
O julgamento, conduzido pela juíza Sylvia Busch, terá 35 audiências até janeiro de 2026. Investigações sobre outras 96 mortes continuam, com possíveis exumações. A Promotoria suspeita que o número de vítimas possa superar o de Niels Hoegel, tornando Johannes M. um dos piores serial killers da Europa.