Mãe de criança autista denuncia constrangimento em transporte coletivo de Manaus

Mãe de criança autista relata caso de constrangimento em transporte público de Manaus e pede mais fiscalização.
Redação Imediato Online
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Uma mãe de criança autista, Andreza, relatou um caso de constrangimento e desrespeito sofrido na manhã de quarta-feira, 9 de julho, por volta das 11h, em um transporte coletivo da zona leste de Manaus. Segundo ela, o motorista de um ônibus da linha “faixa laranjinha”, se recusou a aceitar a carteirinha que garante gratuidade para ela e seu filho, que possui Transtorno do Espectro Autista (TEA), e chegou a ameaçar “passar por cima” dela e da criança em uma próxima ocasião. O caso, que gerou revolta, foi registrado em um boletim de ocorrência, e a denúncia foi feita em entrevista ao site Imediato.

O Incidente

Andreza, que retornava da escola com seu filho, relatou que o motorista exigiu que ela entrasse pela porta traseira do ônibus, mesmo com a criança devidamente identificada pelo cordão de TEA e a carteirinha que assegura a gratuidade para o acompanhante, conforme previsto em lei. “Ele disse que a carteirinha não vale nada e que, na próxima vez, não pararia para nós. Isso é uma agressão psicológica, especialmente para meu filho”, desabafou.

A mãe destacou que o incidente não é isolado, apontando que motoristas de linhas alternativas, como as de “faixa amarela”, frequentemente desrespeitam idosos e pessoas com deficiência.

Legislação Desrespeitada

A gratuidade no transporte coletivo para pessoas com TEA e seus acompanhantes é garantida por lei municipal e estadual em Manaus, com base em legislações como a Lei Federal nº 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência). A carteirinha emitida pelo Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) assegura esse direito, mas, segundo Andreza, é constantemente ignorada por motoristas e cobradores. “Eles jogam indiretas, fazem pouco caso. É uma humilhação para nós, mães, que lutamos pelos direitos dos nossos filhos”, afirmou.

Apelo por Fiscalização

Andreza fez um apelo ao IMMU e à Prefeitura de Manaus para intensificar a fiscalização nos transportes alternativos, especialmente na zona leste. “Precisamos de fiscalização pelo menos duas vezes por semana. Tem motoristas que trabalham clandestinamente e não respeitam a lei”, disse. Ela também criticou a falta de estrutura para atender crianças autistas na cidade, como a escassez de neuropediatras, psicólogos e terapeutas ocupacionais. “A zona leste está abandonada. Gastam milhões em eventos, mas não investem em saúde e educação para nossas crianças”, completou.

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