Nova autópsia de Juliana Marins revela morte por hemorragia interna, mas embalsamento compromete análise detalhada

Nova autópsia detalha as causas da morte de brasileira em acidente de escalada na Indonésia.
Redação Imediato Online
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A segunda autópsia realizada no corpo da brasileira Juliana Marins, que morreu em junho após um acidente de escalada no Monte Rinjani, na Indonésia, concluiu que a causa da morte foi uma hemorragia interna aguda, provocada por múltiplas lesões traumáticas. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro, para onde o corpo foi transladado, aponta fraturas graves na pelve, tórax e crânio, consistentes com um impacto de alta energia.

Apesar da conclusão sobre a causa da morte, o exame pericial enfrentou limitações significativas. Segundo o documento, obtido e divulgado pelo G1, o processo de embalsamento realizado na Indonésia para o transporte do corpo ao Brasil comprometeu análises mais aprofundadas. Isso impediu os legistas de determinar com precisão o momento exato do óbito e de avaliar sinais clínicos como desidratação, hipotermia ou possíveis indícios de violência sexual.

Mesmo sem parâmetros confiáveis para cravar a hora da morte, os especialistas estimam que Juliana pode ter sobrevivido por aproximadamente 15 minutos após a queda. O laudo sugere que, embora os ferimentos fossem letais a curto prazo, é provável que ela tenha passado por um “período curto de agonia física e psíquica” antes de falecer.

Exames genéticos complementares ainda estão em andamento para buscar mais respostas.

Duas autópsias, conclusões semelhantes

A nova perícia no Brasil foi um pedido da família de Juliana, que acionou a Justiça para garantir a análise. O resultado corrobora, em grande parte, o laudo inicial da autópsia feita em Bali, na Indonésia, no dia 27 de junho.

Na ocasião, o médico forense Ida Bagus Alit também apontou “trauma contundente, resultando em danos a órgãos internos e hemorragia” como a causa da morte. Ele estimou um tempo de sobrevida ligeiramente maior, em torno de 20 minutos, e ressaltou a dificuldade de precisar a hora exata do óbito devido à transferência do corpo em um freezer de uma ilha para outra.

Ambos os laudos descartaram, por falta de evidências, a hipótese de violência física ou sexual, embora as escoriações no corpo sejam compatíveis com o processo de queda e deslizamento pela encosta íngreme.

A cronologia da tragédia e a angústia da espera

O acidente de Juliana Marins ocorreu por volta das 6h da manhã do dia 21 de junho (horário local). Horas depois, imagens de drone captadas por outros turistas mostraram a brasileira ainda com vida, sentada numa encosta a cerca de 200 metros da trilha.

No entanto, a operação de resgate, criticada pela família como lenta e negligente, enfrentou enormes desafios. O terreno instável e o mau tempo dificultaram o acesso. Monitoramentos posteriores revelaram que o corpo de Juliana foi encontrado em pontos cada vez mais profundos, chegando a uma distância de 500 a 600 metros da trilha quando finalmente foi alcançado.

No dia 24 de junho, três dias após a queda, as equipes de resgate conseguiram se aproximar e declararam a vítima morta. O corpo só foi completamente resgatado no dia seguinte, 25 de junho. A família de Juliana declarou publicamente que pretende entrar com uma ação judicial por negligência.

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