A apresentação da dupla britânica de punk-rap Bob Vylan no festival de Glastonbury, no último sábado (28), gerou uma onda de controvérsias após o vocalista Bobby Vylan liderar cânticos de “Free, free Palestine” e “Death, death to the IDF” (Forças de Defesa de Israel, em inglês) durante o show no palco West Holts, transmitido ao vivo pela BBC. As declarações, classificadas como “discurso de ódio” por autoridades, resultaram em uma investigação criminal no Reino Unido, na revogação dos vistos da banda para os Estados Unidos e em duras críticas de políticos e da organização do festival.
Cânticos Polêmicos e Reação Imediata
Durante a apresentação, Bobby Vylan incentivou a multidão de cerca de 30 mil pessoas a entoar “Free, free Palestine” e, em seguida, “Death, death to the IDF”. O vocalista, que se descreveu como um “punk violento”, afirmou no palco: “Às vezes, você tem que passar sua mensagem com violência, porque é a única linguagem que algumas pessoas entendem, infelizmente.” A performance incluiu uma tela ao fundo com mensagens como “A ONU chamou de genocídio. A BBC chama de ‘conflito’”, em referência às ações de Israel em Gaza.
A reação foi imediata. A organização do Glastonbury, em comunicado assinado pela co-organizadora Emily Eavis, expressou estar “horrorizada” com as declarações, afirmando que “não há lugar para antissemitismo, discurso de ódio ou incitação à violência” no festival. “Com quase 4 mil apresentações, é inevitável que artistas expressem visões que não compartilhamos, mas os cânticos de Bob Vylan ultrapassaram uma linha”, diz o texto.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, classificou os cânticos como “discurso de ódio atroz” e criticou a BBC por transmitir a performance ao vivo. A secretária de Cultura, Lisa Nandy, exigiu explicações do diretor-geral da BBC, Tim Davie, sobre a falta de diligência prévia. A BBC, por sua vez, lamentou não ter interrompido a transmissão, admitindo que “os sentimentos antissemitas expressos foram inaceitáveis”. A performance foi removida do BBC iPlayer, e a emissora exibiu um aviso na tela sobre “linguagem discriminatória” durante o show.
Investigação Criminal e Repercussões Internacionais
A polícia de Avon e Somerset anunciou que está analisando imagens da apresentação de Bob Vylan, assim como da banda irlandesa Kneecap, que também realizou cânticos pró-Palestina, para determinar se houve crimes de ordem pública. Nos Estados Unidos, o vice-secretário de Estado, Christopher Landau, informou que os vistos da dupla foram revogados, impedindo uma turnê planejada para outubro. “Estrangeiros que glorificam violência e ódio não são bem-vindos em nosso país”, declarou Landau no X. Além disso, a agência United Talent Agency encerrou a representação da banda.
A embaixada de Israel no Reino Unido expressou “profunda perturbação” com o que classificou como “retórica inflamatória e odiosa”, argumentando que os cânticos “advogam pela destruição do Estado de Israel”. A Campanha Contra o Antissemitismo anunciou que apresentará uma queixa formal à BBC pela transmissão.
Resposta de Bob Vylan
Em um post no Instagram no domingo (29), Bobby Vylan defendeu sua posição com a legenda “Eu disse o que disse”. Ele afirmou estar recebendo mensagens de “apoio e ódio” e destacou a importância de “ensinar às crianças a falar pelo que querem e precisam”. “Vamos mostrar a elas, alto e claro, o que fazer quando queremos mudança”, escreveu, pedindo uma mudança na política externa.