Por: Rosane Gama
Manaus (AM) – Um clima de revolta e comoção tomou conta da sede da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), na noite desta segunda-feira (30), durante a apresentação do homem preso por matar Moisés de Souza e o filho dele, Miguel, de apenas dois anos. O crime brutal aconteceu no último dia 22 de junho, na comunidade Val Paraíso, zona leste da capital amazonense.
O suspeito foi identificado como Hugo Henrique da Silva, conhecido como “Zeca”, e foi preso no município de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus. A prisão foi resultado de uma operação conjunta da 30ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam) e o pelotão fluvial da 8ª CIPM, com base em uma denúncia anônima enviada ao canal Linha Direta da Polícia Militar.
Segundo a PM, Zeca foi encontrado deitado em uma rede na comunidade do Xibarema. Ele não ofereceu resistência, confessou o crime e estava de posse de uma pistola calibre 9mm, a mesma arma usada na execução.
Durante a apresentação do suspeito na DEHS, familiares das vítimas se revoltaram e tentaram agredi-lo. A viúva de Moisés, que também é mãe de Miguel e sobreviveu ao ataque, fez duras declarações:
“Tudo que ele falou é mentira! Meu marido era trabalhador. Estão querendo manchar a imagem dele. Esse assassino de criança não teve coragem nem de mostrar a cara. Quero ele apodrecendo na cadeia!”, disse, visivelmente abalada.
A Polícia Militar precisou pedir reforço para conter os ânimos, diante da multidão indignada que se formou em frente à delegacia.
Execução cruel
De acordo com a investigação, Moisés estava trafegando de moto com sua esposa e o filho Miguel quando foi surpreendido por um atirador. Câmeras de segurança flagraram o momento em que o suspeito se aproximou e efetuou vários disparos. Moisés morreu no local. O bebê, atingido na cabeça, chegou a ser socorrido ao Hospital Platão Araújo, mas não resistiu. A mãe da criança saiu ilesa.
Zeca afirmou em depoimento que Moisés estaria envolvido em atividades ligadas a facções criminosas e que teria sido visto gravando vídeos onde foram encontrados os restos mortais de um estrangeiro. O suspeito alegou que Moisés estaria fazendo gestos associados a uma facção rival, o que teria motivado o crime. No entanto, a versão é contestada pela família da vítima, que nega qualquer envolvimento de Moisés com o crime organizado.
O Major Aldvan, da Polícia Militar do Amazonas, comentou a prisão: “Prendemos um covarde que matou uma criança de dois anos. Ele seguiu a vítima, esperou o momento certo e atirou. Disse que não queria acertar a criança, mas o menino foi atingido na cabeça e morreu. O criminoso tem diversas passagens pela polícia e havia deixado a prisão no ano passado.”
Investigação em andamento
A motocicleta utilizada na execução foi emprestada por um vizinho de Zeca, que será ouvido como testemunha. O homem reconheceu o veículo nas imagens das câmeras de segurança.
Com a prisão de Zeca, a polícia espera concluir o inquérito nos próximos dias e encaminhar o caso à Justiça. A população e os familiares seguem clamando por justiça diante da tragédia que tirou a vida de um pai de família e de uma criança inocente.
O caso, que chocou a população pela brutalidade, segue sendo investigado pela Polícia Civil do Amazonas.
Fotos: Tarcísio Heden – Imediato / Divulgação