BR-319: Ponte sobre rio Curuçá será interditada para obras em 30/06 e 01/07 de 2025

Obras na ponte sobre o rio Curuçá na BR-319 entre Manaus e Porto Velho causarão interdição por dois dias em junho e julho de 2025.
Redação Imediato Online
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) anunciou a interdição total do trecho da BR-319 (Manaus-Porto Velho) sobre o Rio Curuçá, no quilômetro 23, em Careiro (AM), para a realização de obras na nova ponte em construção. A interdição ocorrerá nos dias 30 de junho e 1º de julho de 2025, das 8h às 10h (horário de Brasília), proibindo a passagem de veículos e pedestres. O DNIT recomenda que os usuários programem deslocamentos e busquem rotas alternativas, embora opções sejam limitadas devido à localização estratégica da rodovia na Amazônia. A obra, que substitui a ponte destruída em novembro de 2023, tem previsão de conclusão para setembro de 2025, após atrasos causados por desafios logísticos e climáticos.

Contexto do Trecho e da Interdição

A BR-319, com 885 km, é a única rodovia que conecta Manaus (AM) a Porto Velho (RO) e ao restante do Brasil, sendo essencial para o escoamento de produtos da Zona Franca de Manaus e o transporte de passageiros. Inaugurada em 1976, a rodovia foi abandonada na década de 1980 e tornou-se intrafegável em trechos, especialmente no Trecho do Meio (km 250 a km 655,7), devido à falta de manutenção e às chuvas amazônicas. O trecho sobre o Rio Curuçá, no km 23, em Careiro da Várzea, é crítico por sua proximidade com Manaus e pelo histórico de problemas estruturais.

Em 28 de setembro de 2022, a ponte original sobre o Rio Curuçá desabou, resultando em quatro mortes e 14 feridos. Um segundo colapso, no km 24, sobre o Rio Autaz-Mirim, ocorreu em 8 de outubro de 2022, isolando comunidades e causando desabastecimento em cidades como Careiro Castanho, Autazes e Manaquiri. Desde então, o DNIT implementou um aterro provisório para manter a travessia, mas este foi destruído pela correnteza em 31 de maio de 2025, interrompendo o tráfego por 72 horas.

A nova ponte, com 150 metros de extensão (30 metros a mais que a original), está em construção desde 2023, com fundações concluídas em grande parte, exceto no meio do rio. O superintendente do DNIT-AM, Orlando Fanaia Machado, afirmou em março de 2024 que a obra seria entregue em outubro de 2024, mas atrasos devido ao inverno amazônico e dificuldades logísticas adiaram a previsão para setembro de 2025.

Detalhes da Interdição

O DNIT informou que as obras nos dias 30/06 e 01/07 envolvem serviços estruturais na nova ponte, exigindo a interdição total do tráfego para garantir a segurança. O horário das 8h às 10h foi escolhido para minimizar transtornos, mas a falta de rotas alternativas é um desafio, já que a BR-319 é a única ligação terrestre entre Manaus e Porto Velho. As alternativas, como transporte fluvial pelo Rio Madeira ou aéreo, são custosas e demoradas (uma viagem fluvial pode levar até uma semana).

Impactos e Desafios

A BR-319 é vital para a economia da Amazônia, mas sua reconstrução enfrenta obstáculos ambientais e logísticos. O Trecho do Meio (km 250 a 655,7) permanece sem pavimentação, com atoleiros no período chuvoso (dezembro a maio), dificultando o tráfego. A pavimentação, planejada desde o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em 2005, foi autorizada em outubro de 2024 pelo TRF1, mas é alvo de críticas de ambientalistas. Estudos apontam que a obra pode aumentar o desmatamento em 300 mil km², conectando a rodovia ao arco do desmatamento no sul da Amazônia.

O colapso do aterro provisório em maio de 2025 expôs a vulnerabilidade da região. Comunidades locais, como Igapó-Açu e Careiro Castanho, enfrentam isolamento e falta de acesso a serviços, como saúde. Um residente, Antônio do Boto, destacou: “Não há ambulância. Você pode perder a vida por falta de transporte”. A Fiocruz e a Unicamp investigam o impacto da rodovia na saúde pública, alertando para o aumento de doenças infecciosas devido ao desmatamento.

Carregar Comentários