Família de Juliana Marins denuncia descaso da Emirates no traslado do corpo da jovem

Família de brasileira morta na Indonésia denuncia descaso da companhia aérea no traslado do corpo.
Redação Imediato Online
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Companhia aérea alegou “bagageiro lotado”, e familiares relatam sofrimento dobrado com burocracias e falta de empatia

O drama vivido pela família de Juliana Marins, jovem brasileira de 26 anos que morreu durante uma trilha na Indonésia, ganhou mais um capítulo doloroso neste fim de semana. Segundo relatos da irmã da vítima, a companhia aérea Emirates teria se recusado a embarcar o corpo de Juliana em um voo já confirmado, alegando falta de espaço no compartimento de bagagem.

A frustração dos familiares foi exposta nas redes sociais. Em uma publicação no Instagram, Mariana Marins, irmã da jovem, desabafou: “Já estava tudo certo com o voo, confirmado, mas a Emirates em Bali não quer trazer minha irmã pra casa. Do nada, o bagageiro do voo ficou ‘lotado’.” A declaração provocou comoção entre amigos, internautas e reforçou a indignação da família com a forma como o caso vem sendo tratado.

Juliana morreu na sexta-feira (21), após uma queda durante trilha no Monte Rinjani, uma das atrações mais conhecidas da Indonésia. O corpo só foi resgatado cinco dias depois, em uma operação difícil e marcada por más condições climáticas. Desde então, os familiares enfrentam uma verdadeira via-crúcis para conseguir trazer Juliana de volta ao Brasil.

“É descaso do início ao fim”, diz família

Além da dor da perda, a família relata um sentimento de impotência diante da falta de assistência efetiva. A Emirates, até o momento, não ofereceu uma solução clara. A justificativa de “bagageiro cheio” foi recebida como inaceitável, já que o voo estava confirmado com antecedência. O que deveria ser um procedimento de acolhimento e apoio virou mais uma barreira burocrática e emocional.

“É como se a gente estivesse implorando por algo que deveria ser simples. Só queremos que ela volte pra casa com dignidade”, escreveu Mariana em uma das postagens.

Apoio público só veio após mobilização

Inicialmente, o Itamaraty informou que não poderia custear o traslado por conta de um decreto federal de 2017 que proíbe o uso de verbas públicas para esse tipo de despesa. A justificativa gerou revolta nas redes sociais e pressionou o governo federal a agir.

Na última semana, o presidente Lula ligou pessoalmente para o pai de Juliana e garantiu que o Estado brasileiro arcaria com os custos. O presidente ainda anunciou que o decreto será revogado para permitir que, em casos futuros, o governo possa agir com mais rapidez e humanidade.

A Prefeitura de Niterói, cidade natal de Juliana, já havia se comprometido a custear os R$ 55 mil necessários para o traslado, mas agora aguarda a oficialização da mudança no decreto para alinhar a logística com o governo federal.

Tragédia e negligência

Juliana Marins estava viajando pela Ásia desde fevereiro e compartilhava momentos da jornada em suas redes sociais. A queda durante a trilha no Monte Rinjani — uma das mais desafiadoras do país — ocorreu em uma área de difícil acesso. Familiares criticam o que chamam de lentidão no resgate e afirmam que houve negligência das autoridades locais.

Agora, o que resta à família é esperar que o corpo de Juliana finalmente chegue ao Brasil para o sepultamento. Até o fechamento desta matéria, a Emirates ainda não havia emitido nota oficial com explicações conclusivas sobre o episódio.

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