Violência e descaso: duas famílias destruídas cobram justiça em Manaus

Duas famílias em Manaus cobram justiça após tragédias provocadas por negligência e impunidade.
Redação Imediato Online
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Manaus (AM) – A cidade de Manaus amanheceu mais uma vez sob o peso do luto, da revolta e da indignação. No mesmo dia, duas tragédias comoventes escancararam o que há muito tempo grita nas ruas da capital: o descaso com a vida, seja pela violência que segue impune, seja pela negligência do poder público com a infraestrutura básica.

“Quero abrir qualquer site e ver que o assassino do meu bebê foi preso”

Na comunidade Valparaíso, bairro Jorge Teixeira, Zona Leste, Neuziane, mãe do pequeno Gabriel, de apenas 2 anos, e esposa de Moisés, viu sua vida desmoronar no último domingo (22). A família voltava para casa de motocicleta quando foi surpreendida por um criminoso armado. Os disparos tiraram a vida do marido e do filho. Ela também foi baleada no braço, mas sobreviveu.

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Durante o culto de sétimo dia realizado nesta sexta-feira (28), Neuziane emocionou a todos com um desabafo firme:

“O que me restou foi uma foto, uma lembrança e a saudade. Eu quero abrir qualquer site e ver que o assassino do meu bebê e do meu marido foi preso. Eu só quero justiça.”

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A polícia já teria identificado o suspeito, mas até agora não houve prisão. A viúva afirma que só descansará quando o responsável estiver atrás das grades. “Ele nos viu. Viu meu filho. Sabia que era uma criança ali. Mesmo assim atirou”, afirmou.

“Foi preciso minha esposa e minha filha morrerem para taparem o buraco”

Enquanto a Zona Leste chora pela violência, a Zona Centro-Sul de Manaus também enterra seus mortos — dessa vez, vítimas do descaso da prefeitura. A biomédica Giovana Ribeiro, de 29 anos, grávida de nove meses, morreu após cair de uma motocicleta que bateu em um buraco não sinalizado na avenida Djalma Batista. A filha do casal, que se chamaria Maria Carolina, também morreu.

O viúvo, João Ribeiro, acusa diretamente a Prefeitura de Manaus de negligência e falsidade. Ele afirma que nenhuma assistência foi prestada à família, mesmo após nota oficial do município afirmar o contrário:

“O prefeito mentiu. Disse que ajudou, mas não ajudou em nada. Tenho as notas fiscais. Além da dor, agora temos que lidar com mentiras que aumentam nosso sofrimento”, desabafou.

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João relata que o buraco onde o acidente aconteceu já existia há cerca de um mês, sendo alvo constante de reclamações de motoristas. Mesmo assim, nenhuma providência foi tomada. Somente após a tragédia, uma equipe da prefeitura foi ao local tapar o buraco.

“Foi preciso minha esposa e minha filha morrerem para taparem aquele buraco. Isso é desumano”, afirmou. “Minha esposa era formada, honrada, trabalhadora. Não era um número. Ela existia. A nossa filha também.”

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Uma cidade que pede socorro

As histórias de Neuziane e João não são apenas dois casos isolados. Elas refletem uma realidade cruel enfrentada por milhares de famílias manauaras: o medo diário, a insegurança nas ruas, a ausência de respostas do Estado, e o sofrimento que continua mesmo depois do luto.

Enquanto uma mãe enterra seu filho assassinado, um pai enterra sua esposa e filha mortos por negligência. Ambos clamam por justiça. Ambos enfrentam o silêncio do poder público. Ambos expõem uma Manaus que, diante de tantas mortes evitáveis, segue como uma cidade que pede socorro.

“Hoje foi a minha família. Amanhã pode ser a sua”, alertou João.

“Eu só quero justiça. Não quero vingança. Mas não posso aceitar que meu filho tenha morrido por nada”, concluiu Neuziane.

A população também reagiu com indignação nas redes sociais, cobrando providências e mais humanidade por parte das autoridades. As duas famílias agora estudam medidas judiciais e prometem lutar para que nenhuma outra vida seja perdida da mesma forma.

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