Greve de trabalhadores da construção civil paralisa 20 a 30 obras em Manaus por aumento salarial e melhorias na cesta básica

Trabalhadores da construção civil em Manaus paralisam 20 a 30 obras por reivindicações salariais e melhoria da cesta básica.
Redação Imediato Online
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Trabalhadores da construção civil de Manaus iniciaram uma greve geral nesta sexta-feira (27) na Avenida do Turismo, no bairro Tarumã, exigindo aumento salarial e melhorias na cesta básica. A paralisação, liderada pelo Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil do Amazonas (Sintracomec-AM), afeta entre 20 e 30 obras na cidade, segundo o diretor Carlos Valdemar. A categoria rejeitou a proposta patronal de reajuste de 5,12% no salário e R$ 25 na cesta básica, considerada insuficiente frente ao aumento do custo de vida e do salário mínimo, que será de R$ 1.518 em 2025. A greve, comunicada ao Ministério do Trabalho e ao Ministério Público, é legal e pode se estender por tempo indeterminado se as negociações não avançarem até segunda-feira.

Reivindicações dos trabalhadores

Os trabalhadores, representados por figuras como Luciano e Elvis, expressaram indignação com a proposta de reajuste. Luciano destacou que o aumento de 5,12% no salário e R$ 25 na cesta básica, que subiria para R$ 225, é “insuficiente” para cobrir necessidades básicas como açúcar, café e pão, especialmente com a inflação acumulada (IPCA de 4,83% em 2024) e o aumento do salário mínimo. “O salário mínimo vai subir muito, e o que nos oferecem é defasado”, afirmou. Elvis complementou: “R$ 25 não compra nem um frango. Trabalhamos no sol quente, enquanto os patrões estão no luxo.”

Carlos Valdemar, diretor do Sintracomec-AM, reforçou que o setor da construção civil no Amazonas registrou lucros significativos, mas os trabalhadores, que enfrentam condições adversas nos canteiros de obra, não são valorizados. “O patrão teve lucro razoável, mas oferece uma cesta de R$ 225. Queremos dignidade e um salário que acompanhe o custo de vida”, declarou. A categoria também cobra melhores condições de trabalho, como alimentação adequada e segurança nos canteiros.

Contexto da greve

A paralisação ocorre em um momento de crescimento do setor da construção civil no Amazonas, impulsionado por obras em bairros como Ponta Negra e Avenida das Torres, além de projetos em Iranduba. Segundo o Jornal do Commercio (2013), a construção civil em Manaus viveu um boom a partir de 2011, mas a qualificação da mão de obra e a valorização salarial não acompanharam o ritmo. Em 2014, o Sintracomec-AM conquistou um reajuste de 7% e aumento da cesta básica de R$ 83 para R$ 101, mas a categoria continua enfrentando dificuldades para negociar benefícios como plano de saúde e participação nos lucros (PLR).

A proposta patronal de 5,12% está abaixo de acordos recentes em outras regiões. Por exemplo, na Bahia, trabalhadores da construção civil obtiveram 9,47% de reajuste em 2024, com 6,47% de reposição inflacionária e 3% de ganho real, além de 13% de aumento na cesta básica. No Rio de Janeiro, a campanha salarial de 2025 reivindica 10% de reajuste, incluindo tíquete-refeição e cesta natalina. Em São Paulo, o dissídio de 2024 garantiu 4,5% para salários até R$ 7.376,26 e R$ 450 no vale-supermercado.

Impactos da paralisação

A greve, que já mobilizou foguetórios para chamar atenção das autoridades, pode afetar o cronograma de obras em Manaus, incluindo projetos residenciais e comerciais. O Sintracomec-AM informou que a paralisação é legal, com comunicação prévia ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ao Ministério do Trabalho, e que os trabalhadores estão dispostos a manter a mobilização até que as negociações avancem. Carlos Valdemar destacou que a categoria está visitando canteiros para ampliar a adesão, liberando trabalhadores para pressionar as empresas.

Carregar Comentários