Google manifesta preocupação com decisão do STF que responsabiliza redes sociais por conteúdo ilícito

Decisão do STF sobre responsabilização de redes sociais gera preocupação da Google.
Redação Imediato Online
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, nesta quinta-feira (26), por 8 votos a 3, que plataformas digitais, como Google, Meta e TikTok, devem ser responsabilizadas por conteúdos ilícitos postados por usuários, mesmo sem ordem judicial, caso não removam o material após notificação da vítima. A decisão, que reformula a interpretação do artigo 19 do Marco Civil da Internet, gerou reação do Google, que expressou preocupação com os impactos na liberdade de expressão e na economia digital. Em nota, a empresa afirmou que está analisando a decisão e permanece aberta ao diálogo.

Detalhes da decisão do STF

A votação, concluída em 26 de junho de 2025, determina que plataformas devem monitorar ativamente conteúdos que envolvam discurso de ódio, racismo e incitação à violência, removendo-os após notificação, sem necessidade de ordem judicial. No entanto, para crimes contra a honra, como calúnia e difamação, a remoção ainda exige decisão judicial, conforme voto do presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso. O placar de 8 a 3, com dissidência dos ministros André Mendonça, Edson Fachin e Cármen Lúcia, estabelece que as empresas não serão responsabilizadas se comprovarem esforços para remover o conteúdo em tempo hábil.

A decisão tem repercussão geral, ou seja, servirá como precedente para casos semelhantes no Judiciário brasileiro. Barroso esclareceu que o STF não está legislando, mas julgando dois casos concretos, definindo critérios até que o Congresso Nacional regulamente a questão. “Plataformas precisam adotar precauções proativas, incompatíveis com apenas aguardar ordens judiciais”, afirmou o ministro, ecoando a opinião de Alvaro Palma de Jorge, professor da FGV-Rio.

Posicionamento do Google

Em nota oficial, o Google destacou preocupações com a ampliação da responsabilidade prevista no artigo 21 do Marco Civil da Internet, que trata da remoção de conteúdo após notificação. “As mudanças podem impactar a liberdade de expressão e a economia digital. Estamos analisando a tese aprovada e seus impactos em nossos produtos. Continuamos abertos ao diálogo”, declarou a empresa. Antes da votação, Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, já havia alertado que a responsabilização prévia poderia levar à remoção preventiva de conteúdos, incluindo jornalismo investigativo e humor, gerando insegurança jurídica.

Contexto e implicações

A decisão do STF reformula o artigo 19 do Marco Civil da Internet, que antes limitava a responsabilidade das plataformas a casos de descumprimento de ordens judiciais. O debate ganhou força após os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram o Congresso, o Palácio do Planalto e o STF, impulsionados por desinformação nas redes sociais. O julgamento, iniciado em 2024, foi motivado por casos envolvendo pornografia infantil, violência entre adolescentes e fraudes online.

Críticos, como o ministro André Mendonça, alertam que a medida pode ameaçar a liberdade de expressão, incentivando plataformas a remover conteúdos preventivamente para evitar multas. “A liberdade de expressão é essencial para responsabilizar instituições poderosas, incluindo governos e plataformas digitais”, argumentou Mendonça. Organizações também apontam que a decisão favorece grandes empresas com estruturas jurídicas robustas, prejudicando pequenas plataformas nacionais e a inovação.

A decisão também gerou tensões internacionais, com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, alertando sobre possíveis restrições de vistos a autoridades envolvidas em “censura” de cidadãos americanos, o que elevou o impacto geopolítico do caso. A abordagem do STF alinha o Brasil à União Europeia, que adota regulamentações rigorosas para plataformas digitais, como o Digital Services Act.

Repercussão e críticas

No X, a decisão foi amplamente debatida. Usuários como @karinamichelin e@Ramon4lan criticaram o STF, alegando que a medida legaliza a “censura” e ameaça a liberdade de expressão.

@K4f3i destacou que, no mesmo dia da decisão, a conta do Google Brasil no X foi trancada, levantando especulações sobre uma possível retaliação, embora sem confirmação. Por outro lado, defensores, como@josefernandesjr, argumentaram que a responsabilização é necessária para combater desinformação e crimes online.

A CNN Brasil relatou que o Google teme a criação de um ambiente de “censura” e insegurança jurídica, enquanto o Metrópoles destacou as críticas de Fábio Coelho ao STF. A ausência de critérios claros sobre o que constitui “conteúdo ilícito” preocupa especialistas, que temem decisões arbitrárias em casos futuros.

Carregar Comentários