Consumo das famílias brasileiras sobe 2,04% em maio, mas cesta básica pressiona com alta de 0,73%

Variação dos preços na cesta básica pressiona o orçamento das famílias brasileiras, apesar do aumento no consumo em maio.
Redação Imediato Online
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O consumo nos lares brasileiros cresceu 2,04% em maio de 2025, impulsionado por fatores como o Dia das Mães, a primeira parcela do 13º salário do INSS (R$ 73,3 bilhões), repasses do Bolsa Família (R$ 13,64 bilhões) e restituições do Imposto de Renda, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Apesar disso, o indicador AbrasMercado, que monitora 35 produtos de largo consumo, registrou alta de 0,51% no preço médio nacional, passando de R$ 819,20 para R$ 823,37. A cesta de 12 alimentos básicos subiu 0,73%, de R$ 352,55 para R$ 355,13, com destaque para o café torrado e moído (+4,59%) e a carne bovina dianteiro (+2,33%).

Variação de preços por região

O Sudeste liderou a alta do AbrasMercado em maio, com aumento de 0,70% (de R$ 837,59 para R$ 843,48), seguido pelo Norte (+0,62%, de R$ 882,70 para R$ 888,15) e Nordeste (+0,58%, de R$ 729,09 para R$ 733,36). O Centro-Oeste e o Sul registraram deflação na cesta de 12 alimentos básicos, com quedas de 0,26% (de R$ 348,53 para R$ 347,62) e 0,32% (de R$ 381,84 para R$ 380,63), respectivamente.

Entre as capitais, Belém (R$ 422,06) e Rio Branco (R$ 417,08) tiveram as cestas mais caras no Norte, enquanto São Luís (R$ 300,11) e Aracaju (R$ 305,41) registraram os menores valores no Nordeste. No Sudeste, São Paulo liderou com R$ 371,96, e no Centro-Oeste, Brasília teve média de R$ 352,68.

Produtos em alta e em queda

O café torrado e moído foi o principal vilão, com alta de 4,59% em maio e 82,25% em 12 meses. Outros itens que pressionaram a cesta básica foram feijão (+1,19%), carne bovina dianteiro (+2,33%), margarina (+1,75%) e hortifrútis como batata (+10,34%) e cebola (+10,28%). Por outro lado, arroz (-4,00%, com -12,07% em 12 meses), óleo de soja (-1,28%), leite longa vida (-0,89%), queijo (-1,04%) e tomate (-13,52%) ajudaram a conter uma alta maior.

Na categoria de higiene pessoal, xampu (+1,31%) e creme dental (+0,99%) subiram, enquanto o papel higiênico caiu 0,57%. Em limpeza doméstica, desinfetante (+1,05%) e sabão em pó (+0,58%) registraram alta, com água sanitária em leve queda (-0,20%).

Contexto econômico e consumo

O aumento de 2,04% no consumo das famílias em maio, aliado a um crescimento acumulado de 2,61% em 2025, reflete estímulos à renda, como o pagamento de R$ 30,7 bilhões do PIS/Pasep e R$ 18 bilhões em restituições do IRPF. Marcio Milan, vice-presidente da Abras, destacou que “a desaceleração da inflação e a queda nos preços de itens essenciais sustentaram o abastecimento dos lares”. Apesar da alta de 10,46% no AbrasMercado em 12 meses, a estabilidade do setor supermercadista foi mantida, mesmo com o debate sobre o aumento do IOF, que não impactou diretamente o consumo.

A Abras projeta crescimento de 2,5% no consumo anual, impulsionado por políticas de transferência de renda e maior empregabilidade. No entanto, a pressão inflacionária, especialmente em itens como café e hortifrútis, continua desafiando o orçamento das famílias, que comprometem cerca de 50,24% do salário mínimo líquido com a cesta básica, segundo o Dieese.

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